Os petroleiros do Rio Grande do Sul entraram nesta quinta-feira para o terceiro dia de greve, integrando a mobilização nacional da categoria. Na Refinaria Alberto Pasqualini (Refap), em Canoas, o corte de rendição de turnos ocorre desde terça-feira, com a manutenção de um piquete permanente em frente à unidade.
A paralisação é uma resposta à postura intransigente da gestão da Petrobrás, que ainda não apresentou propostas satisfatórias para o Acordo Coletivo de Trabalho (ACT). Sem avanços nas negociações, o movimento intensifica a defesa por direitos, valorização profissional e melhores condições de segurança.
A greve ganha corpo no Rio Grande do Sul com a adesão de bases estratégicas. Recentemente, o terminal TEDUT (Transpetro), em Osório, confirmou participação na manhã desta quinta-feira. Segundo a presidenta do Sindipetro-RS, Miriam Cabreira, a união é a principal ferramenta de pressão: "A adesão em massa demonstra nossa força. Não aceitaremos ataques aos direitos conquistados e seguiremos lutando por melhorias", afirma.
No âmbito federal, o movimento chega ao seu quarto dia atingindo nove refinarias, 28 plataformas, 13 unidades da Transpetro, além de termelétricas, usinas de biodiesel e campos terrestres. O sindicato denuncia, contudo, práticas antissindicais por parte da gestão da Petrobrás. Há relatos de obstáculos à liberação de grevistas em plataformas e refinarias, o que levou as entidades a buscarem medidas judiciais, como pedidos de Habeas Corpus, para garantir a saída de funcionários retidos indevidamente. O Sindipetro-RS reforça que o direito de greve está sendo exercido conforme a Lei nº 7.783/89, com a manutenção de equipes de contingência para garantir o abastecimento essencial à população.
VIGÍLIA NO RIO DE JANEIRO
Paralelamente à greve nas bases operacionais, aposentados e pensionistas completam oito dias de vigília em frente ao Edisen, sede da estatal no Rio de Janeiro. O grupo cobra o fim dos Planos de Equacionamento de Déficit (PEDs) e exige que a empresa formalize as propostas discutidas na Comissão Quadripartite. O acampamento seguirá por tempo indeterminado até que haja um posicionamento concreto da diretoria.
A categoria reafirma que a continuidade da greve é uma consequência direta da falta de diálogo da empresa e que a mobilização será mantida até que uma contraproposta efetiva seja apresentada.