Economia

Plataformas digitais com relevância sistêmica exigem intervenção estatal, diz Regis Dudena

Secretário de Reformas Econômicas defende PL que cria superintendência para regular concorrência em mercados digitais

Segundo Dudena, os serviços digitais ampliam o acesso e podem reduzir custos, mas também podem concentrar poder nas mãos de poucas plataformas
Segundo Dudena, os serviços digitais ampliam o acesso e podem reduzir custos, mas também podem concentrar poder nas mãos de poucas plataformas Foto : Lula Marques / Agência Brasil / CP

O secretário de Reformas Econômicas do Ministério da Fazenda, Regis Dudena, defendeu nesta terça-feira, 9, o projeto de lei que trata da concorrência nos mercados digitais (PL nº 4675/2025).

Em análise pela Câmara dos Deputados em regime de urgência, o texto cria a Superintendência de Mercados Digitais (SMD) no âmbito do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) e amplia a regulação ex-ante (preventiva) de plataformas digitais no Brasil, com o objetivo de evitar práticas anticompetitivas de grandes empresas de tecnologia.

Segundo Dudena, os serviços digitais ampliam o acesso e podem reduzir custos, mas também podem concentrar poder nas mãos de poucas plataformas, com risco de dominância de mercado.

"Se fornecer infraestrutura parece uma boa ideia, quando a gente olha para essas plataformas, estamos falando de agentes que passam a ter tal relevância sistêmica que o Estado também precisa intervir. Acho que é nisso que o PL tenta atuar", disse. Ele participou de painel no 6º Congresso Brasileiro de Internet, realizado pela Associação Brasileira de Internet (Abranet) e pelo Instituto de Tecnologia & Sociedade do Rio (ITS).

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Intervenção procedimental e flexibilidade legal

Dudena argumentou que a intervenção prevista é, sobretudo, de natureza procedimental. "Primeiro eu preciso identificar quem são os agentes. Depois, quais são propriamente os serviços, ou seja, os verticais dentro daquilo designado", afirmou.

O secretário disse ainda que a designação de agentes de relevância sistêmica é desejável e pode funcionar como um indicador de sucesso no mercado. "Se você é um agente de um mercado digital, talvez o seu alvo seja um dia ser designado pelo Cade. Por quê? Porque tomou uma relevância sistêmica, e seus produtos precisam de uma atenção especial", completou.

No mesmo painel, o presidente interino do Cade, Diogo Thomson, disse que o Congresso discute obrigações proporcionais e vinculadas aos serviços que apresentem problemas concorrenciais. "Isso tudo tem que ficar mais claro. Na redação do PL, a gente já imaginava que isso viria do debate legislativo, mas é uma possibilidade de deixar a lei mais flexível e mais à prova de futuro", afirmou.

Thomson disse que o Cade já tem instrumentos para atuar nesse ambiente, mas defendeu mais agilidade e efetividade na abertura de processos. "Hoje a gente tem uma dificuldade, mesmo usando os nossos instrumentos mais modernos, de, por exemplo, construir remédios estruturados".

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