Economia

Primeiras denúncias da Zelotes devem ocorrer em três meses, diz procurador

Segundo Frederico Paiva, são coletados indícios para 74 julgamentos

As primeiras denúncias da operação Zelotes deverão ocorrer em até três meses, afirmou nesta segunda-feira o responsável pela investigação no Ministério Público Federal (MPF), procurador Frederico Paiva. Em entrevista à Rádio Guaíba, o procurador informou que estão sendo detectados indícios para 74 julgamentos. Segundo Paiva, a primeira fase da operação ainda está se desenvolvendo e a apuração envolve intermediários e conselheiros do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (Carf) sobre fraudes de sonegação de tributos.

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O procurador afirmou ainda que não concorda com o pedido de sigilo determinado pela Justiça, mas que respeita a decisão. Ele vai pedir ao juiz Ricardo Leite, da 10ª Vara Federal, que reconsidere a decisão que decretou o sigilo das investigações. Paiva disse estar incomodado com o que chama de vazamento seletivo de informações sobre a operação. Ele considera que a sociedade tem o direito de acesso ao conteúdo completo das investigações. O procurador lembrou que na Operação Lava-jato, o juiz Sérgio Moro adotou esse procedimento, considerado por ele o mais adequado também no caso da Operação Zelotes.

De acordo com o procurador, o trabalho no Carf é voluntário, o que facilitaria a prática da corrupção. “É difícil de acreditar, porque nenhum lugar do mundo adota isso. Mas essas pessoas se voluntariam para trabalhar de graça e julgar processos de funcionários. É obvio que o sistema não vai funcionar e está provado que não funciona”, disse.

A operação

Os casos apurados pela operação Zelotes foram relatados no Carf entre 2005 e 2015. A força-tarefa ainda está na fase de investigação dos fatos. A Zelotes apura suposto pagamento de propina a conselheiros do Carf, em troca de extinção ou redução dos débitos com a Receita. A lista das empresas pode diminuir ou aumentar. Isso não significa uma condenação antecipada. A Camargo Corrêa é suspeita de aderir ao esquema para cancelar ou reduzir débitos fiscais de R$ 668 milhões. Também estão sendo investigados débitos do Banco Pactual e da BR Foods.

Ao todo, estão sob suspeita de participar do esquema 74 contribuintes. Entre as empresas investigadas por negociar ou pagar suborno a conselheiros para reverter multas da Receita estão gigantes de vários setores, como os bancos Bradesco, Santander, Safra e Bank Boston; as montadoras Ford e Mitsubishi; a BRF, do setor alimentício; além dos grupos gaúchos RBS, Gerdau e Marcopolo. As empresas negam envolvimento.

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