Apesar da melhora das projeções na semana passada do Fundo Monetário Internacional (FMI) e do Instituto Internacional de Finanças (IIF) para a economia brasileira, o Relatório de Mercado Focus não trouxe refresco nas estimativas domésticas para o Produto Interno Bruto (PIB). O Relatório de Mercado Focus, divulgado nesta segunda-feira, pelo Banco Central, mostrou que a projeção para a economia passou de -3,25% para -3,27%, após três semanas seguidas de melhora das previsões, que estavam em -4,44% um mês atrás.
Para 2017, a mediana das previsões do mercado ficou congelada em 1,10% de um levantamento para o outro. Estava em 1,00% há quatro semanas. No mês passado, o BC informou no Relatório Trimestral de Inflação que a sua nova estimativa para o PIB deste ano é de uma retração de 3,3% ante baixa de 3,5% vista na edição anterior do documento.
As estimativas para a produção industrial também mostraram pouco avanço na pesquisa Focus para este e o próximo ano. Para 2016, a queda foi mantida em 5,95%, como na semana passada. Um mês atrás estava em -5,89%. Já para 2017, a projeção recuou, passando de uma alta de 0,77% para um avanço de 0,75% - estava em 0,80% há uma semana.
Já as projeções para o indicador que mede a relação entre a dívida líquida do setor público e o PIB mostraram tendências opostas no documento de hoje. No caso de 2016, a mediana saiu de 44,40% para 44,45% de uma semana para outra. Um mês atrás, estava em 43,70%. Para 2017, no boletim Focus, as expectativas recuaram de 49,10% para 49,00% ante projeção apontada um mês atrás de 47,95%.
Selic
No primeiro relatório Focus após a estreia da nova cúpula do Banco Central (BC) na reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), o documento trouxe estabilidade nas previsões para a Selic (a taxa básica de juros da economia). A previsão de Selic para o final de 2016 continuou em 13,25% ao ano como na semana anterior (o mesmo valor de um mês atrás) e a taxa básica prevista para o final de 2017 prosseguiu em 11,00% ao ano pela quarta semana consecutiva.
Já a Selic média deste ano ficou estacionada em 14,06% ao ano pela terceira semana seguida, enquanto a de 2017 seguiu em 11,75% ao ano. Há um mês, as medianas das taxas médias projetadas para este e o próximo ano estavam em, respectivamente, 14,03% e 11,67%.
A estabilidade nas projeções para a Selic ocorre após a sinalização do BC de que ainda não há espaço para redução da taxa básica no curto prazo. Além disso, o IPCA-15 de julho, acima da mediana das expectativas do mercado, divulgado no dia seguinte ao encontro do Copom, corroborou a avaliação do mercado de que o colegiado tende a ser mais cauteloso em relação a cortes da Selic.
Para o grupo dos analistas consultados que mais acertam as projeções (Top 5) de médio prazo, a taxa básica - que atualmente está em 14,25% ao ano - terminará este ano em 13,75% ao ano, como previam na semana anterior e um mês antes. Para o ano que vem, as estimativas ficaram estáveis em 11,25% ao ano.
Dólar
Mesmo com as sucessivas intervenções do BC no mercado de câmbio por meio de leilões de swap cambial reverso - que, na prática, evitam uma queda maior do dólar -, o Relatório de Mercado Focus voltou a mostrar queda das estimativas para o câmbio deste ano.
O documento divulgado pelo BC indicou que a cotação da moeda estará em R$ 3,34 no encerramento de 2016, ante projeção de R$ 3,39 do levantamento anterior. Um mês atrás, estava em R$ 3,60. Apesar disso, o câmbio médio de 2016 continuou em R$ 3,47 de uma semana para a outra - um mês antes, estava em R$ 3,61.
Para 2017, a mediana seguiu em R$ 3,50 de uma divulgação para a outra - quatro semanas atrás estava em R$ 3,80. Já o câmbio médio do ano que vem seguiu em R$ 3,46 de um levantamento para o outro - estava em R$ 3,74 um mês atrás.
Balança
As projeções do mercado financeiro para a balança comercial brasileira mostraram melhora no Relatório de Mercado Focus. A estimativa de superávit para este ano passou de 50,52 bilhões de dólares para 51,10 bilhões de dólares - um mês atrás estava em 50,76 bilhões de dólares.
Pela mais recente estimativa do BC, o saldo positivo de 2016 ficará em 50 bilhões de dólares. Para 2017, as estimativas no Focus avançaram de 49,94 bilhões de dólares para 50 bilhões de dólares de uma semana para a outra. Há um mês, a mediana estava nos mesmos 50 bilhões de dólares
No caso da conta corrente, as previsões para 2016 continuam com um déficit de 15 bilhões de dólares, pela quinta edição consecutiva. O montante de 15 bilhões de dólares de déficit também foi a nova previsão do BC, que contava antes com um rombo de 25 bilhões de dólares.
Já para 2017, a perspectiva do mercado financeiro de déficit voltou a mudar de forma significativa, passando de 19,95 bilhões de dólares para um rombo de 14,91 bilhões de dólares de uma semana para outra. Quatro semanas atrás, a perspectiva era de déficit menor, de 12,00 bilhões de dólares.
Para esses analistas consultados semanalmente pelo BC, o ingresso de Investimento Direto no País (IDP) será bem mais do que suficiente para cobrir esse resultado deficitário nos dois anos. A mediana das previsões para esse indicador em 2016 se manteve em 63,50 bilhões de dólares de uma semana para a outra - estava em 60,50 bilhões de dólares um mês antes. Para 2017, a perspectiva de volume de entradas permaneceu em 65 bilhões de dólares. Nas revisões promovidas pelo BC, a perspectiva é de ingresso de 70 bilhões de dólares de IDP no País este ano - a estimativa anterior era de 60 bilhões de dólares.
Retração do PIB em 2016 passa de 3,25% para 3,27%, aponta Focus
Para 2017, mediana das previsões do mercado ficou congelada em 1,10%