Economia

RS pode liderar transição energética com 85% da matriz renovável

Tema apontou para investimento no futuro dos biocombustíveis do Estado

Debate foi mediado pela presidente do Sindienergia-RS, Daniela Cardeal
Debate foi mediado pela presidente do Sindienergia-RS, Daniela Cardeal Foto : Mauro Schaefer

De acordo com dados divulgados pelo Departamento de Energia da Secretaria Estadual de Infraestrutura e Meio Ambiente, 85% da matriz energética do Rio Grande do Sul é renovável. O Estado também possui o 5º maior parque eólico do Brasil, o que o coloca em um patamar de liderança para a transição energética à nível nacional.

O setor de combustíveis, no entanto, ainda é o que menos tem representatividade de utilização de energias renováveis, no entanto, com a criação de políticas públicas que incentivam a produção de pesquisa no setor, essa realidade vem mudando e apontam para um futuro preparado a oferecer alternativas à escassez de combustíveis e a alta dos preços em combustíveis de origem fóssil.

A diretora do Sindicato das Indústrias de Energias Renováveis do Rio Grande do Sul (Sindienergia-RS), Daniela Cardeal, a criação de um fundo de investimentos que forneça crédito e incentivos para que a iniciativa privada entre nesse mercado, é decisivo para o desenvolvimento econômico do estado neste ramo.

“O Rio Grande do Sul não consegue competir com outras regiões do Brasil, que tem taxas muito diferenciadas em função principalmente de fundos constitucionais. Nós queremos ser um estado contributivo. Hoje há uma evasão de investimentos no Brasil e a gente quer mostrar que o Rio Grande do Sul pode ser mais um polo de gerador de investimentos que vai mantendo a indústria no Brasil”, defende a representante da entidade.

Um exemplo bem-sucedido de iniciativas nesse ramo é a Be8 que desenvolveu um biodiesel para uso sem mistura. O combustível já está sendo utilizado em ônibus de Passo Fundo, geradores e caminhões de prova. De acordo com o vice-presidente de operações da empresa, Leandro Zat, o BeVant, biodiesel desenvolvido pela empresa, apresenta uma redução de cerca de 65% das emissões de cabono.

“Os biocombustíveis contribuem em cada etapa da cadeia, mas em especial sobre as emissões. A partir da bidestilação, nós conseguimos reduzir muito as emissões de partículas de fumaça preta, de enxofração, de fumaça a partir disso ele tem essas reduções tão expressiva”, explicou o empresário.

Além da redução de emissões, necessária para a descarbonização, o desenvolvimento de biocombustíveis também aproveita matéria-prima que viraria resíduo. Para a produção, são utilizados óleos de grãos e gordura animal que, de outra forma, seria descartada. O farelo do grão esmagado, que não será utilizado para a produção do combustível, é reaproveitado para a alimentação de animais de criação. A manutenção dessa cadeia impulsiona a pecuária com uma pegada de carbono reduzida, além de reduzir o custo para a sua produção, segurando o preço da carne.

Os achados foram apresentados no Congresso Internacional de Bioenergia que acontece entre 18 e 20 de março no Centro de Eventos da Fiergs, em Porto Alegre. Também participaram do painel o diretor executivo da União Brasileira do Biodiesel e Bioquerosene (Ubrabio), Sérgio Brandão e o presidente do Sindicato da Indústria de Biodiesel e Biocombustíveis do Rio Grande do Sul (Sindibio-RS), Irineu Boff. O congresso integra a programação da BioTECH Fair.

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