Sem um condutor no plano doméstico, como foi o andamento da reforma da Previdência na semana passada, o Ibovespa iniciou a segunda quinzena do mês à deriva. Nesse cenário, houve espaço para os investidores realizarem ganhos e também para mais compras, o que levou o índice à vista, pontualmente, para o nível dos 104,5 mil pontos na máxima do dia. Mas, na maior parte do pregão, o indicador se conteve ao redor da estabilidade. A Bolsa fechou em queda de 0,10%, aos 103.802,69 pontos. E, mesmo em dia de vencimento de opções sobre ações, o volume financeiro foi baixo em relação à média, de R$ 13,2 bilhões.
Para Marco Tulli Siqueira, gestor de renda variável da Coinvalores, com o recesso dos parlamentares - que oficialmente tem início dia 18 -, as oscilações do mercado acionário doméstico vão estar mais ligadas ao movimento dos índices das bolsas no exterior, principalmente em Nova York. "Algumas notícias sobre a Previdência podem mexer, mas nada muito significativo."
Uma hora antes do fechamento, a presidente da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado, Simone Tebet (MDB-MS), previu 60 dias para que os senadores analisem a proposta de novas regras para a aposentadoria. Depois que for votado em segundo turno na Câmara, o texto precisa passar pelo Senado Federal. "Com 60 dias é um tempo confortável, agosto, setembro", disse a senadora, que confirmou o nome do tucano Tasso Jereissati (CE) para ser o relator do texto. Para ela, que prevê que a proposta seja analisada na CCJ no prazo de três semanas a um mês, se a discussão for mais aprofundada na comissão, as novas regras passam mais facilmente no plenário.
Álvaro Bandeira, economista-chefe do banco digital Modalmais, também diz acreditar que o recesso parlamentar pode trazer menor volatilidade aos mercados. "Mas é certo que as pressões sobre a reforma da Previdência vão continuar", afirmou. Entre as blue chips, as ações ordinárias da Vale se destacaram em alta na sessão de hoje, encerrando com ganhos de 1,70%. Também no terreno positivo, as Units do Santander subiram 0,50%. Já Banco do Brasil ON, Itaú Unibanco PN e Bradesco PN tiveram queda de 0,60%, 0,27% e 0,42%, respectivamente.
Dólar
O dólar voltou a subir hoje, após cair nos últimos cinco pregões. Operadores destacam que o movimento foi um ajuste, sobretudo após o real ser a moeda que mais se valorizou no mercado internacional na semana passada, considerando uma cesta de 35 divisas. Nesta segunda-feira, com a agenda doméstica fraca, o mercado local acompanhou o fortalecimento do dólar no exterior, ante moedas de países desenvolvidos e alguns emergentes. O dólar à vista fechou em alta de 0,48%, a R$ 3,7563.
A liquidez foi fraca, com o mercado futuro movimentando apenas US$ 10,4 bilhões, ante média de US$ 18 bilhões. No mercado à vista, o giro também foi fraco, com US$ 760 milhões, abaixo da média de US$ 1,3 bilhão de dias normais. O dólar futuro para agosto fechou em alta de 0,52%, a R$ 3,7610. "Na falta de notícias internas, o mercado acompanhou o exterior", afirma o gerente de tesouraria do Travelex Bank, Felipe Pellegrini. Apesar da alta, ele ressalta que a tendência do dólar ainda é de queda e a moeda pode cair abaixo de R$ 3,70 se houver noticiário positivo, sobretudo sobre a Previdência, como a reinclusão de Estados e municípios no texto.