Economia

Semana decisiva: Tarifaço de Trump pode exigir ações de auxílio

Para analistas, políticas públicas evitariam fechamento de empresas e desemprego

Novas medidas sobre exportação para EUA vão vigorar a partir de sexta
Novas medidas sobre exportação para EUA vão vigorar a partir de sexta Foto : Fabio Scremin/APPA

As tarifas de 50% sobre exportações brasileiras para os Estados Unidos estarão vigorando já na sexta-feira, e analistas preveem que algumas empresas poderão sucumbir na competição de preços. O professor de Economia da Ufrgs Maurício Weiss avalia riscos de fechamento e desemprego regionalizado.

No entanto, se o governo garantir auxílio a exemplo do que ocorreu nas cheias de 2024, negócios poderiam se manter enquanto novos mercados seriam buscados. “Se não houver alternativa, provavelmente empresas vão ter que fechar ou mudar muito a estrutura”, assinala.

É possível também que ocorra desaquecimento no comércio. “Não acredito em algo tão exacerbado que vá impactar a dinâmica geral da economia a ponto de reduzir muito o mercado de trabalho, mas vai ter impacto sim”, reitera. Por outro lado, diz, a população poderá sentir efeitos positivos como queda de preços de itens que deixarão de ser exportados. “Como vão sobrar produtos como suco de laranja e carne, por exemplo, vão baratear”, prevê.

A Fecomércio-RS entende que a vigência da medida afetará o comércio gaúcho, já que a relação com os EUA representou R$ 10,13 bilhões em 2024, 9,11% do total exportado. Luiz Carlos Bohn, presidente do Sistema Fecomércio-RS/Sesc/Senac e Instituto Fecomércio-RS de Pesquisa (Ifep), destaca que “o impacto se estende ao comércio local, ao consumo e à geração de renda”.

Além disso, ressalta, eventual reciprocidade pode encarecer insumos e dificultar a competitividade. Segundo o Ifep, Porto Alegre, Novo Hamburgo, São Leopoldo, Santa Cruz do Sul e Caxias do Sul concentram dois terços das exportações para o mercado americano.

| Foto: Leandro Maciel / Arte / CP

Estudo da Universidade Federal de Minas Gerais estima o RS como segundo estado mais impactado do país, com queda de R$ 1,9 bilhão no PIB em um ano. Em 2024 o PIB gaúcho somou R$ 706,82 bilhões. O RS tem 1,1 mil indústrias que exportam para os Estados Unidos, 10% do total brasileiro, segundo a Fiergs.

No país, uma das preocupações é a Embraer. O CEO da empresa, Francisco Gomes Neto, informou que a alteração nos preços das aeronaves devido aos impostos deve gerar cancelamentos de pedidos e revisões de planos de produção e investimentos. “No caso da Embraer é bem difícil conseguir novos mercados que substituam o tamanho dos Estados Unidos”, avalia Weiss.

O setor de calçados, representado em grande parte por empresas do Rio Grande do Sul, exportou 111,8 milhões de dólares (R$ 621,6 milhões), o equivalente a 5,8 milhões de pares de calçados vendidos aos norte-americanos no primeiro semestre. Empresários desta área têm relatado que tiveram suas vendas suspensas e muitos tentaram adiantar ao máximo os embarques de produtos antes do dia 1° de agosto, conforme detalhou o presidente executivo da Abicalçados, Haroldo Ferreira.

“A situação é grave e muito preocupante, no sentido de que não temos respostas do governo de Donald Trump para as tentativas de negociação por parte do governo brasileiro. Atualmente, Estados Unidos é o nosso principal destino no exterior, respondendo por mais de 20% do total gerado com exportações de calçados”, enfatiza o dirigente. “A sobretaxa de 50% inviabilizaria grande parte dessas exportações, colocando em risco milhares de empregos em todo o Brasil”, concluiu.

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