Economia

Tarifaço dos EUA: Lula diz não ter pressa para ações de reciprocidade e prioriza negociação

Presidente autorizou governo a iniciar processo contra tarifas norte-americanas

Lula diz não ter pressa para ações de reciprocidade e prioriza negociação
Lula diz não ter pressa para ações de reciprocidade e prioriza negociação Foto : Evaristo Sa / AFP / CP

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva falou nesta sexta-feira sobre o início do processo de reciprocidade contra as tarifas de 50% impostas pelos Estados Unidos a produtos brasileiros. Em entrevista à rádio Itatiaia, o chefe de Estado disse que não tem pressa para o processo e reiterou que a prioridade é o diálogo com os norte-americanos.

"É um processo demorado. Eu não tenho pressa para fazer a reciprocidade com os Estados Unidos porque eu quero negociar”, disse. “Esses dias, o Haddad (ministro da Fazenda) tinha um telefonema marcado com o secretário do Tesouro dos Estados Unidos (Scott Bessent). Ele (Bessent) disse que não podia e depois apareceu em uma reunião com o Eduardo Bolsonaro", lamentou.

Lula comentou que não quer entrar em conflito com os Estados Unidos e citou a relação comercial de mais de 200 anos entre os dois países. “Até agora nós não conseguimos falar com ninguém. Eles não estão dispostos a negociar, mas se o Trump estiver disposto a conversar, o ‘Lulinha paz e amor’ está de volta. Eu não quero guerra com os Estados Unidos. Eu só quero a verdade em cima da mesa”, acrescentou.

O presidente brasileiro afirmou que o Estados Unidos têm uma relação comercial boa com o Brasil. “Dos dez produtos mais importantes deles, oito são zerados de impostos. Os outros eles pegam 2,7%, que é quase nada. Se tem alguma coisa que os americanos não podem reclamar é da relação comercial com o Brasil, que é muito vantajosa para eles”, declarou.

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Questionado sobre a possibilidade de ir até a Casa Branca para conversar com Trump, Lula disse não ter problema algum com o presidente americano. “O Trump é um problema do povo americano. Eu já fui na Casa Branca diversas vezes e o que preciso é de uma sinalização para negociação. Eu o respeito como presidente eleito e ele precisa respeitar a nossa soberania. O Brasil é dono do seu nariz. Nós não adotamos o ‘complexo de vira-lata’, nós somos iguais. Nós não queremos conversar com ninguém de forma subalterna. Falo igual com todos, até porque dignidade não é uma coisa que se compra em shopping”, disse.

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