O controle de gastos públicos e a equação fiscal são os principais desafios para a economia brasileira e trazes preocupações para a perda da sua potencialidade, afirma o presidente da Confederação Nacional da Indústria (CNI), Ricardo Alban. Na parte de consumo, já é sentida uma tendência de desaquecimento, com efeito de retorno lento para a economia. O presidente lembrou que já há anúncios de que a dívida pública pode chegar a mais de 90% já no próximo ano ou em 2027.
"Quando falamos de juros, óbvio que a equação fiscal é um componente importante, não podemos negar. Mas também entendemos que absolutamente nada justifica uma taxa real de juros dentro da taxa de referência que é a Selic de 10% ao ano", afirma. "2027 já está praticamente precificado por todo mundo que vamos ter que parar de empurrar para debaixo do tapete o problema fiscal".
Questionado sobre as perspectivas de queda da taxa Selic, o presidente ressaltou que as consequências irão "forçar" para que isso aconteça. Ele lembrou que há, na política monetária, ferramentas desde juros até política de ajuste de liquidez, que foram adotadas por conta das condições fiscais, pela política pública expansionista e política monetária contracionista, voltada para juros. "Nós podemos fazer isso trabalhando com liquidez no mercado sem onerar a dívida interna", diz.
O presidente fez sua fala em coletiva de imprensa durante a terceira edição do INDX, evento que debateu perspectivas para a indústria nacional e desafios da sustentabilidade em 2026. O evento ocorreu nesta terça-feira na sede da Fiergs, em Porto Alegre, reunindo lideranças do setor industrial, autoridades governamentais e representantes de sindicatos.
Lançado pelo Sistema Fiergs em março deste ano, o INDX teve como primeiro palestrante o governador Eduardo Leite. A segunda edição, realizada em julho, contou com a participação do presidente da Cotrijal, Nei César Manica, e do diretor-geral da CMPC, Antônio Lacerda, que falaram sobre investimentos bilionários no RS. A série de eventos busca apresentar visões estratégicas e promover debates voltados ao crescimento do setor industrial e da economia gaúcha.
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Diferentes setores do Rio Grande do Sul afirmam que a redução de tarifas de 40% impostas aos produtos brasileiros pelos Estados Unidos apresentam pouco efeito. O presidente afirmou que tanto para o Estado quanto para outros, o setor de máquinas, equipamentos e madeira e pescado está crítico, mas que o Ministério das Relações Exteriores e diferentes partes do governo federal estão trabalhando para encontrar uma solução que não afete mais ainda os setores que seguem impactados.
“É óbvio que nesse primeiro momento os Estados Unidos aceleraram mais aqueles produtos que impactam a sua economia ou que impactam a sua inflação. Temos que entender que está existindo uma negociação ampla com diversos países. Sabemos que a motivação que levou a esse tarifaço de 50% não foi econômica. Nos parece que esse episódio de outras motivações está num processo de superação e que a gente tem que continuar trabalhando”.
Ele lembra que a medida provisória anunciada em agosto para oferecer suporte financeiro e fôlego às exportações vence em dezembro e, como não pode ser reeditada, a não ser em uma nova legislatura, está sendo estudada uma nova MP para auxiliar nesse período de negociações. “Continuamos favoráveis, mas sabemos que existe uma negociação de comércio internacional bastante complexa. Mas acredito que nós podemos fazer e que nos cabe, dar todo e qualquer apoio que seja dentro do nosso limite de competência para que as indústrias enfrentem essa fase”, afirma.