Economia

UE inicia processo de ratificação de acordo com Mercosul apesar da relutância da França

Presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, defende que o acordo é benéfico para ambas as partes

Presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, defende que o acordo é benéfico para ambas as partes
Presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, defende que o acordo é benéfico para ambas as partes Foto : Eitan ABRAMOVICH / AFP / CP

A Comissão Europeia iniciou nesta quarta-feira (3) o processo de ratificação do acordo comercial com os países do Mercosul, um passo crucial que, no entanto, enfrenta resistência significativa da França. O tratado precisa ser aprovado pelos 27 estados-membros da União Europeia (UE) e pelo Parlamento Europeu para entrar em vigor. A decisão da Comissão coincide com um momento de instabilidade política na França, o que pode influenciar a tramitação do acordo.

A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, defende que o acordo é benéfico para ambas as partes, facilitando a exportação de automóveis e máquinas da UE para a América do Sul e, em contrapartida, a entrada de produtos agrícolas do Mercosul, como carne, açúcar e soja, no mercado europeu.

França na vanguarda da oposição

A França, um dos principais opositores ao acordo, tem expressado há anos sua preocupação com os setores agrícola, de bovinos, aves e açúcar. Para aplacar as críticas, a Comissão pode anunciar um aditamento ao tratado que fortalece as cláusulas de salvaguarda para produtos agrícolas considerados "sensíveis".

Apesar da possível concessão, a porta-voz do governo francês, Sophie Primas, afirmou que o país analisará se as reivindicações foram incluídas de forma juridicamente viável. A oposição de extrema direita e sindicatos de agricultores franceses já classificaram a possível aceitação do acordo como uma "traição".

Vantagens e obstáculos do acordo

Enquanto a França e outros países temem a concorrência agrícola, o acordo conta com defensores como a Alemanha, que busca novos mercados para suas empresas. Bruxelas estima que o tratado pode gerar uma economia de mais de 4 bilhões de euros anuais em tarifas para os exportadores europeus.

Para bloquear o acordo, a França precisaria formar uma "minoria de bloqueio", ou seja, conseguir o apoio de pelo menos quatro países que representem 35% da população da UE. O processo de ratificação segue seu curso, mas a oposição francesa permanece como um dos principais obstáculos a serem superados.

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