Economia

Ursula von der Leyen confia na assinatura do acordo UE-Mercosul após adiamento

Tratado vem sendo negociado há 25 anos e busca criar a maior zona de livre comércio do mundo

Ursula von der Leyen confia que o histórico acordo comercial entre a União Europeia (UE) e o Mercosul será finalmente assinado em janeiro de 2026
Ursula von der Leyen confia que o histórico acordo comercial entre a União Europeia (UE) e o Mercosul será finalmente assinado em janeiro de 2026 Foto : JOHN THYS / AFP

A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, manifestou nesta sexta-feira (19) sua confiança de que o histórico acordo comercial entre a União Europeia (UE) e o Mercosul será finalmente assinado em janeiro de 2026. A declaração ocorre após um adiamento estratégico impulsionado por França e Itália, em um momento de intensa pressão política e protestos rurais no continente europeu.

O tratado, que vem sendo negociado há 25 anos, visa criar a maior zona de livre comércio do mundo. Para os europeus, o acordo abriria as portas para a exportação de bens de alto valor agregado, como veículos e maquinários pesados. Em contrapartida, os países do Mercosul — Brasil, Argentina, Uruguai e Paraguai — teriam facilidades para vender produtos agrícolas como carne, soja e mel, considerados altamente competitivos pelos padrões globais.

Articulação política

O caminho para o adiamento da assinatura, que era esperada para este fim de semana, foi pavimentado por uma conversa direta entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e a primeira-ministra italiana, Giorgia Meloni. Segundo o líder brasileiro, Meloni solicitou "paciência" e assegurou que, com mais tempo para ajustes internos, a Itália acabaria por apoiar o tratado.

Este novo prazo representa um revés para nações como Alemanha e Espanha, que lideravam a frente favorável à conclusão imediata do pacto. Fontes do governo alemão, embora frustradas com a "disputa interminável", acreditam que a assinatura em meados de janeiro de 2026 é agora o cenário mais provável. Por outro lado, o presidente francês, Emmanuel Macron, insiste que o texto precisa "mudar de natureza" para oferecer garantias adicionais aos produtores locais.

Agricultores em pé de guerra

Enquanto os líderes negociavam em gabinetes, o bairro europeu em Bruxelas foi palco de violentas manifestações. Cerca de 7.300 manifestantes e quase mil tratores tomaram as ruas, bloqueando acessos institucionais. O cenário de protesto incluiu pneus incendiados, arremesso de projéteis contra a polícia e o uso de bombas de gás lacrimogêneo e jatos d’água para conter a multidão.

A tensão escalou a ponto de janelas do prédio do Parlamento Europeu serem quebradas por indivíduos mascarados. Os agricultores, mobilizados principalmente pela federação francesa FNSEA, afirmam que o acordo representa uma "concorrência desleal", alegando que os produtos sul-americanos não seguem as mesmas rigorosas normas ambientais e sociais exigidas na Europa, o que permitiria preços artificialmente mais baixos.

Políticas agrícolas na Europa

Além do Mercosul, a revolta do campo é alimentada pela insatisfação com a reforma da Política Agrícola Comum (PAC) e as novas taxas sobre fertilizantes. Os produtores temem que as subvenções europeias sejam diluídas no orçamento do bloco, reduzindo o apoio direto que sustenta muitas propriedades rurais.

Ursula von der Leyen reuniu-se com representantes da Copa-Cogeca, a principal organização agrária europeia, tentando acalmar os ânimos ao afirmar que "a Europa estará sempre ao lado dos agricultores". No entanto, sindicatos rurais franceses e belgas mantêm a mobilização, classificando a tentativa de aprovação do acordo como uma "imposição à força" que ameaça a soberania alimentar do continente.

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