Economia

Vendas pela web sobem 1.200%

Rio Grande do Sul foi o 7º estado que mais comercializou em 2024, mas foi o 5º que mais comprou

Entre os destaques das pequenas empresas gaúchas estão os vinhos
Entre os destaques das pequenas empresas gaúchas estão os vinhos Foto : Freepik / CP

Um levantamento divulgado pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), com dados da Receita Federal, apontou que as vendas de micro e pequenas empresas brasileiras pelo comércio eletrônico cresceram cerca de 1.200% em cinco anos. De acordo com os dados da terceira edição do Dashboard de Comércio Eletrônico Nacional, o valor saltou de R$ 5 bilhões em 2019 para R$ 67 bilhões em 2024.

As empresas de médio e grande porte também tiveram crescimento nessa modalidade, mas em nível percentualmente menor. A diferença foi de R$ 49 bilhões para R$ 158 bilhões no mesmo período, o que representa um aumento de 220%.

Para a especialista em e-commerce do Sebrae RS, Jociane Ongaratto, é preciso unificar o físico e o digital, já que não existe mais uma linearidade na jornada do consumidor. “Hoje o e-commerce é uma condição básica, não mais um diferencial. Em alguns casos a pessoa vê o produto no site e compra na loja física e em outros é o contrário. É necessário estar onde o consumidor está”, explica. Ela ainda ressalta que a pandemia acabou acelerando a entrada das lojas no ambiente on-line por uma questão de sobrevivência, mas nos anos seguintes houve uma consolidação desses novos canais de venda.

Esse foi o caso da empreendedora Rose Muller, que é sócia de uma loja de roupas femininas junto com a irmã. Apesar de já terem estabelecido uma presença em blogs, antes das redes sociais, as duas já tinham feito duas tentativas de implementação de e-commerce, uma por volta de 2014 e outra em 2018, sem sucesso. “O nosso produto é muito específico, são roupas de alfaiataria, com um acabamento diferente, que exigem a experiência de compra e é difícil de comprar sem provar. Claro que a gente não sabia disso nessas tentativas, mas tudo é aprendizado”, explica.

Com a pandemia, no entanto, as vendas pelo Instagram e pelo WhatsApp foram a alternativa que para continuarem em operação. “Nem foi intencional. No primeiro dia em que a gente começou a postar mais conteúdo, uma cliente respondeu falando ‘separa essa peça que eu quero’. Então, eu e minha irmã fizemos um curso do Sindilojas e começamos as vendas on-line”, relembra. A loja hoje atende, além do público de Porto Alegre, clientes do interior do Rio Grande do Sul e de outros estados. Rose também conta que o serviço de compra on-line é mais assertivo, com a comunicação com as clientes sendo feita por mensagem e não por um site.

Dados regionais

O levantamento feito para o Dashboard de Comércio Eletrônico Nacional mostra a diversificação do comércio eletrônico a partir das características de cada região em 2024. No Rio Grande do Sul, por exemplo, considerando as empresas do Simples Nacional, os destaques são vinhos, livros e acessórios de motocicletas. Já observando todas as empresas, os produtos mais comercializados no RS são celulares, livros e televisores. Em Goiás, são acessórios para tratores; em Minas Gerais, calçados; no Pará, purê de açaí; e em Alagoas, frutas.

O Rio Grande do Sul foi o sétimo estado que vendeu mais em 2024. Já em relação às compras no comércio on-line, o RS ficou em quinto lugar. Isso quer dizer que atualmente o Estado compra mais do que vende pela Internet. Quanto às vendas que ocorrem de emissores do RS, cerca de 56% ficam dentro do Estado, ou seja, são comprados por pessoas daqui.

Os principais destinos das vendas gaúchas são os estados de São Paulo, Santa Catarina e Minas Gerais. De acordo com a economista da Fecomércio Giovana Menegotto, a presença no digital hoje é praticamente mandatória para quem quer se manter competitivo. “É uma questão de ampliar o mercado e a relação com os clientes, pensando em expansão e em encontrar novos mercados. Com a possibilidade das vendas pelo digital, a barreira é algo que praticamente deixa de existir”, observa.

No total, o comércio eletrônico com notas fiscais emitidas no país movimentou R$ 225 bilhões no ano passado, crescimento de 14,6% sobre 2023 e de 311% nos últimos cinco anos. Desde 2016, data de início da série, já foram negociados R$ 1 trilhão via comércio eletrônico no país.

Em valores, os produtos mais vendidos em 2024 no e-commerce nacional foram aparelhos de telefonia celular, (4,1% do total), livros (3,3%), refrigeradores (2,6%) e televisores (2,2%).

Transpor o físico para o digital

A especialista em e-commerce do Sebrae, Jociane Ongaratto, pontua que para transpor um empreendimento para o ambiente digital é preciso analisar o posicionamento da marca e considerar qual o melhor canal. Também é necessário entender que o maior desafio não é apenas disponibilizar os produtos pela Internet, mas pensar na logística e nas estratégias de comunicação, e montar uma operação eficiente a longo prazo. “O consumidor quer facilidade e conexão com o outro lado e isso dá uma vantagem para o pequeno negócio, que muitas vezes consegue investir mais na relação com o cliente”, pondera.

A empresária Natália Frota faz parte do programa Conexão E-commerce do Sebrae desde 2021, depois de abrir uma loja de lingerie on-line em 2018. “O e-commerce é muito difícil no início, porque fica muito escondido. Não é que nem uma loja que as pessoas passam na frente. Tem que ter coragem e paciência para aguentar os primeiros anos.” Hoje, Natália também trabalha com atendimento presencial, mas a maior parte das clientes descobre o negócio pelo digital.

*Sob supervisão de Karina Reif.

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