As enchentes que afetaram os gaúchos e resultaram em Estado de Calamidade no Rio Grande do Sul, em maio último, impactaram variadas áreas. E, neste pós-cheias, o ensino – que rapidamente agilizou diversos apoios e ações a desabrigados – ainda estuda, desenvolve e atua na busca de soluções e recuperação.
Em Porto Alegre, estudantes do Colégio Farroupilha criaram o aplicativo (app) “Voluntaria+”. A iniciativa, que objetiva facilitar a inserção de voluntários em centros de ajuda comunitária, envolve a proposta intuitiva do app, em ação que destaca instituições parceiras, suas necessidades e informes de contato, permitindo que os usuários escolham a forma de ajudar quem melhor se ajuste ao seu perfil.
Por meio do Clube de Tecnologia, o Colégio Farroupilha dá vazão à criatividade, solidariedade e aprofunda estudos, buscando a aplicação prática do conhecimento científico. Fundado por iniciativa dos alunos, a equipe se encontra quinzenalmente para estudar conceitos, como Inteligência Artificial (IA), Internet das coisas e linguagens de programação.
O funcionamento acontece como uma empresa: os estudantes ocupam cargos de presidência, diretorias e gerências em diferentes áreas, respondendo pelas metas e pelos resultados correspondentes. E o organograma está em construção, com os primeiros participantes buscando outros colegas para que integrem o quadro. Já a supervisão é feita pelo gerente de Tecnologia Educacional do colégio, Ednei De Bem, que considera importante a educação voltada ao uso ético das tecnologias. “É sobre como lidar com a tecnologia, ser crítico, e não só um consumidor. Não temos responsabilidade de formar programadores, mas desejamos que saiam com o mínimo de habilidade para entender e ser crítico. A tecnologia está presente em todas as profissões. Isso é educação como um todo”, frisa o professor.
A criação do aplicativo Voluntaria+ é produção recente dos integrantes do Clube, que pensaram em utilizar a ferramenta para apoiar o voluntariado em centros de ajuda comunitária. A plataforma faz uma triagem que auxilia e agiliza a atuação e a contribuição necessária em locais que atendem vítimas das cheias no Estado. “O app é intuitivo e traz uma série de filtros que possibilitam a criação de um caminho para que o usuário encontre qual lugar ele mais se sentiria confortável para prestar auxílio. Além disso, é muito rápido e benéfico para a divulgação das próprias instituições”, explica o aluno Teodoro Trevisan, presidente do Clube.
Um protótipo do aplicativo já foi apresentado na Olimpíada Brasileira de Tecnologia (OBT) e obteve destaque na categoria “Cidades e comunidades sustentáveis”. O próximo passo é consolidar esse app, com o apoio do colégio e da Poatek, empresa especializada em desenvolvimento de soluções tecnológicas para grandes corporações. O foco é intensificar a contribuição do aplicativo para a atual situação do Rio Grande do Sul.
Ajudar e ser ajudado
No Colégio Santa Inês, também em Porto Alegre, a experiência como voluntário agrada ao estudante do 8° ano do Ensino Fundamental Luiz Nunes. “No futuro, vou conseguir enxergar o mundo como um todo, e não só o que eu vivo”, assinala. Junto a ele, outros 40 escolares compõem a equipe de voluntariado no Santa Inês. Entre outras, o grupo promove ações solidárias na Casa Madre Teresa, no Morro Santana, na Capital. “Em uma das últimas saídas, trabalhamos o livro ‘O Pequeno Príncipe’ e falamos sobre amizade. Os alunos leram trechos, trataram sobre a simbologia apresentada na obra e conversaram com as crianças”, revela Josimar Philippsen, coordenador do Voluntariado.
As atividades do grupo também envolvem muitos momentos de reflexão, sobre o papel social do voluntário. “Como o Josimar sempre fala, no voluntariado não cumprimos o papel de ‘salvar’ alguém. Estamos sempre buscando uma troca de percepções, de jovens para jovens, ajudando e sendo ajudado”, comenta Giovana Becker, aluna do 3° ano do Ensino Médio. “Quando realizamos ações, a sensação é que não há diferenciação entre quem é voluntário e quem não é. A relação é mútua em participar e aprender uns com os outros”, argumenta.