Ensino

Ações de solidariedade mobilizam alunos

Projetos escolares de voluntariado crescem e motivam estudantes em diversas atividades colaborativas e de apoio social, numa relação que resulta em aprendizagem mútua

Clube de Tecnologia do Colégio Farroupilha, em Porto Alegre, foi criado pelos estudantes
Clube de Tecnologia do Colégio Farroupilha, em Porto Alegre, foi criado pelos estudantes Foto : Henrique Moreira / Especial / CP

As enchentes que afetaram os gaúchos e resultaram em Estado de Calamidade no Rio Grande do Sul, em maio último, impactaram variadas áreas. E, neste pós-cheias, o ensino – que rapidamente agilizou diversos apoios e ações a desabrigados – ainda estuda, desenvolve e atua na busca de soluções e recuperação.

Em Porto Alegre, estudantes do Colégio Farroupilha criaram o aplicativo (app) “Voluntaria+”. A iniciativa, que objetiva facilitar a inserção de voluntários em centros de ajuda comunitária, envolve a proposta intuitiva do app, em ação que destaca instituições parceiras, suas necessidades e informes de contato, permitindo que os usuários escolham a forma de ajudar quem melhor se ajuste ao seu perfil.

Por meio do Clube de Tecnologia, o Colégio Farroupilha dá vazão à criatividade, solidariedade e aprofunda estudos, buscando a aplicação prática do conhecimento científico. Fundado por iniciativa dos alunos, a equipe se encontra quinzenalmente para estudar conceitos, como Inteligência Artificial (IA), Internet das coisas e linguagens de programação.

O funcionamento acontece como uma empresa: os estudantes ocupam cargos de presidência, diretorias e gerências em diferentes áreas, respondendo pelas metas e pelos resultados correspondentes. E o organograma está em construção, com os primeiros participantes buscando outros colegas para que integrem o quadro. Já a supervisão é feita pelo gerente de Tecnologia Educacional do colégio, Ednei De Bem, que considera importante a educação voltada ao uso ético das tecnologias. “É sobre como lidar com a tecnologia, ser crítico, e não só um consumidor. Não temos responsabilidade de formar programadores, mas desejamos que saiam com o mínimo de habilidade para entender e ser crítico. A tecnologia está presente em todas as profissões. Isso é educação como um todo”, frisa o professor.

A criação do aplicativo Voluntaria+ é produção recente dos integrantes do Clube, que pensaram em utilizar a ferramenta para apoiar o voluntariado em centros de ajuda comunitária. A plataforma faz uma triagem que auxilia e agiliza a atuação e a contribuição necessária em locais que atendem vítimas das cheias no Estado. “O app é intuitivo e traz uma série de filtros que possibilitam a criação de um caminho para que o usuário encontre qual lugar ele mais se sentiria confortável para prestar auxílio. Além disso, é muito rápido e benéfico para a divulgação das próprias instituições”, explica o aluno Teodoro Trevisan, presidente do Clube.

Um protótipo do aplicativo já foi apresentado na Olimpíada Brasileira de Tecnologia (OBT) e obteve destaque na categoria “Cidades e comunidades sustentáveis”. O próximo passo é consolidar esse app, com o apoio do colégio e da Poatek, empresa especializada em desenvolvimento de soluções tecnológicas para grandes corporações. O foco é intensificar a contribuição do aplicativo para a atual situação do Rio Grande do Sul.

Ajudar e ser ajudado

No Colégio Santa Inês, também em Porto Alegre, a experiência como voluntário agrada ao estudante do 8° ano do Ensino Fundamental Luiz Nunes. “No futuro, vou conseguir enxergar o mundo como um todo, e não só o que eu vivo”, assinala. Junto a ele, outros 40 escolares compõem a equipe de voluntariado no Santa Inês. Entre outras, o grupo promove ações solidárias na Casa Madre Teresa, no Morro Santana, na Capital. “Em uma das últimas saídas, trabalhamos o livro ‘O Pequeno Príncipe’ e falamos sobre amizade. Os alunos leram trechos, trataram sobre a simbologia apresentada na obra e conversaram com as crianças”, revela Josimar Philippsen, coordenador do Voluntariado.

As atividades do grupo também envolvem muitos momentos de reflexão, sobre o papel social do voluntário. “Como o Josimar sempre fala, no voluntariado não cumprimos o papel de ‘salvar’ alguém. Estamos sempre buscando uma troca de percepções, de jovens para jovens, ajudando e sendo ajudado”, comenta Giovana Becker, aluna do 3° ano do Ensino Médio. “Quando realizamos ações, a sensação é que não há diferenciação entre quem é voluntário e quem não é. A relação é mútua em participar e aprender uns com os outros”, argumenta.