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Advogados buscam soltura de manifestantes detidos em ocupação na Fazenda

Sindjors divulgou nota de repúdio a episódio de repressão à imprensa com detenção de jornalista

Sindjors divulgou nota de repúdio a episódio de repressão à imprensa com detenção de jornalista
Sindjors divulgou nota de repúdio a episódio de repressão à imprensa com detenção de jornalista Foto : Guilherme Testa
Advogados acionados para trabalhar na soltura dos dez manifestantes detidos durante a ocupação do prédio da Secretaria da Fazenda, na manhã desta quarta-feira, ainda não conseguiram entrar com pedido de relaxamento da prisão. Conforme os defensores, o impedimento está no fato de a papelada referente ao caso ainda não ter chegado ao Fórum da Capital. Ana Marimon, advogada do Sindicato dos Jornalistas do Rio Grande do Sul, garantiu que um grupo está aguardando a chegada do inquérito no saguão do prédio. O Sindjors divulgou nota manifestando seu "repúdio em relação ao episódio".

Os representantes jurídicos do Jornal Já, onde trabalha o jornalista Matheus Chiapini, detido enquanto fazia a cobertura do protesto, garantem que as imagens do celular do repórter servirão de base para o pedido de soltura. Conforme a defesa, o profissional conseguiu encaminhar o telefone usado na cobertura para um terceiro, que levou o equipamento à sede do jornal. Na memória do aparelho, há cerca de 40 vídeos e fotos comprovando que Matheus foi ao local para trabalhar. Conforme o periódico, o repórter relatou que um dos policiais tentou pegar o aparelho, por conta do material.

Para o Sindjors, "a prisão de um jornalista durante o exercício profissional mostra o tratamento que é dispensado a quem busca, através de seu trabalho, informar a população, em uma tentativa de inibir a atuação da imprensa na cobertura e esclarecimento dos fatos". O sindicato manifesta solidariedade ao jornalista Matheus Chaparini e a toda equipe do Jornal Já. A entidade se colocou à disposição do colega através da assessoria jurídica, que está prestando auxílio na tentativa de reverter a prisão.

Adolescentes foram liberados


Já os 45 adolescentes apreendidos também nessa manhã foram liberados e voltaram para casa. Todos foram encaminhados, no início da tarde, ao Departamento Estadual da Criança e do Adolescente (Deca), passaram por exame de corpo de delito e, posteriormente, foram entregues aos pais ou responsáveis. Os últimos adolescentes deixaram o local por volta das 18h30min.

Os dez adultos detidos pela BM durante a ocupação de estudantes à Secretaria da Fazenda fizeram exame de corpo de delito e foram encaminhados, no início da noite, para o sistema prisional. Entre eles, há um jornalista e um cinegrafista. O grupo, de três mulheres e sete homens, é acusado de associação criminosa, dano qualificado ao patrimônio público, esbulho possessório, prejuízo a trabalho coletivo, resistência e corrupção de menores. O somatório das acusações torna a prisão inafiançável, conforme a Polícia Civil.

Já a delegada Andrea Nicotti, da 3ª Delegacia de Pronto Atendimento da Capital, sustenta que nenhum dos presos quis identificar a profissão. Ela fala que, por essa razão, não pode confirmar se há jornalistas entre eles. Pela janela da Delegacia de Polícia de Pronto Atendimento (DPPA), Matheus informou, mais cedo, que ele e o cineasta independente Kevin Darc foram detidos pela manhã.

Sob protesto de municipários e professores (que se uniram à manifestação), a Brigada Militar retirou o grupo à força, perto do meio-dia, de dentro do prédio da Fazenda. Apoiadores tentaram ingressar no prédio para se somar à ocupação, mas foram contidos pela BM, que usou bombas de efeito moral.

“Buscamos todas as formas para que saíssem pacificamente. O Estado tem o poder e dever de agir sem nenhuma necessidade de solicitar reintegração de posse. Utilizamos a força necessária para fazer a condução”, disse o tenente-coronel Mario Ikeda, comandante do Policiamento da Capital.

Motivo do protesto


O grupo que ingressou pela manhã na Sefaz é formado por estudantes contrários ao acordo para desocupação de escolas firmado ontem entre o governo do Estado e outro grupo de estudantes. Enquanto o acordo firmado ontem prevê que o PL 44 tenha votação adiada para 2017, os manifestantes que ocuparam a Sefaz hoje pedem o arquivamento do projeto por parte do Piratini. O Projeto de Lei 44/2016, enviado à Assembleia pelo Piratini, é criticado por alunos e professores pela possibilidade de ampliar a interferência de empresas privadas e serviços terceirizados na educação pública.