Mais uma vez a Aelbra, mantenedora da Ulbra, adiou o início dos pagamentos de mais de R$ 193 milhões devidos aos Credores Classe 1 da Recuperação Judicial (RJ), iniciada em 2019 e concluída em 2023. Depois de vários adiamentos, os pagamentos deveriam ter iniciado em 15 de março desde ano, de acordo com o Sindicato dos Professores do Ensino Privado do Rio Grande do Sul (Sinpro/RS). O novo protelamento frustra as expectativas de ex-professores, funcionários, médicos, comunicadores, prestadores de serviços e outros profissionais que aguardam há 10 anos para receber quase seus valores.
Na nota, a direção colegiada do Sindicato dos Professores demonstra "inconformidade" com a demora. Diferente das justificativas usadas em postergações anteriores, desta vez, a causa do descumprimento não teria sido a dinâmica do mercado, falta de interessados em comprar ativos da empresa, nem a indisposição do mercado financeiro em conceder crédito.
"Agora, trata-se da morosidade da gestão da Aelbra, por incompetência ou oportunismo, que está por traz de mais um alongamento das expectativas dos mais de 10 mil credores trabalhistas", explica o Sinpro.
Após a aprovação pela Assembleia de Credores, realizada em 23 de outubro do ano passado e homologada pela Vara Empresarial de Novo Hamburgo, onde tramita a Recuperação Judicial da Aelbra, um contingente expressivo de credores aderiram à proposta de acordo com o Banco Genial, que é o novo agente financeiro da empresa.
Conforme a proposta do Banco Genial, os aderentes receberiam uma parcela inicial dos seus créditos até o limite de R$ 10,5 mil, ficando o restante para a negociação ou para recebimento integral com atualização pela Taxa Selic, a partir da venda de ativos da Aelbra, pelo novo proprietário de parte da dívida (o Banco Genial) num prazo estimado de dois anos.
O Sindicato dos Professores alega que os gestores da Aelbra não deram andamento na documentação que concretizaria o acordo com o Banco Genial, depois de o acordo ter sido aprovado pelos credores, homologado pela Justiça e, previamente, negociado pela própria Aelbra.
"O presente retardo além de evidenciar o mais absoluto descaso com os credores trabalhistas, tenta evitar a venda de patrimônios para alienação e pagamento dos créditos trabalhistas", justifica o diretor do Sinpro, Marcos Fuhr. Segundo ele, além de manter inconclusivo o quadro de estagnação de uma Recuperação Judicial que já se estende por sete anos, soma-se o descumprimento do acordo firmado com a Fazenda Nacional para a regularização das pendências de FGTS dos trabalhadores.
Diante do contexto de indefinições e incertezas, o Sinpro encaminhou à Justiça um pedido de providências para que se cumpram os acordos já aprovados, com um desfecho favorável aos credores. "Os trabalhadores já aguardam por tempo demasiado uma satisfação pelo que lhes é de direito", conclui Fuhr.
Procurada, a direção da Aelbra informou que não irá se manifestar.