Ensino

Após derrubada de liminar, aulas voltam na rede estadual com proibição de celulares e falta de professores

Para Cpers, debate sobre mudanças climáticas que motivou adiamento “interessa a todos”

Volta às aulas nas Escolas Estaduais | Colégio Estadual Júlio de Castilhos
Volta às aulas nas Escolas Estaduais | Colégio Estadual Júlio de Castilhos Foto : Camila Cunha

Após não ocorrerem na última segunda-feira por decisão do Tribunal de Justiça do RS (TJRS) devido ao forte calor do começo desta semana, as aulas na rede estadual de ensino retornaram nesta quinta para mais de 700 mil estudantes em 2.320 escolas do Rio Grande do Sul. Além de o governo do Estado ter conseguido reverter a liminar do TJRS que adiava o reinício, inicialmente previsto para o próximo dia 17, o retorno dos estudantes foi marcado também hoje pela padronização da proibição do uso dos celulares em sala de aula, a partir de decisão estadual.

A volta foi marcada pela tranquilidade nos colégios estaduais de Porto Alegre, embora ainda tenha havido relatos de falta de professores. No Colégio Júlio de Castilhos, a diretora Paola Cavalcante Ribeiro disse que “é bom ver a escola ganhando vida de novo”. “A essência do colégio é o aluno. Mas em relação à climatização, este é nosso novo normal. Nossos verões serão cada vez mais extremos. Em dias de calor intenso, os ventiladores nas salas são insuficientes. Temos que pensar em projetos de climatização para o futuro”, salientou ela.

O Julinho inicia 2025 com 918 alunos em 42 turmas nos três turnos, sendo que alguns estudantes foram dispensados para o pátio pela falta de docentes. Uma obra na subestação elétrica foi recém concluída e há a expectativa para o início de uma nova reforma. Colegas desde o ano passado, e agora no 2º ano do Ensino Médio, Paolla Almeida da Silva, 17 anos, moradora da Cruzeiro, Noah Martins, 17, do Partenon, e Sophia Damasio, 16, da Lomba do Pinheiro, comemoraram o retorno e o reencontro.

“Estou achando muito tranquilo, mas ainda não sabemos como será o uso dos uniformes, e quanto ao celular, até pode dar um pouco de abstinência. A gente usava muito pra fazer contas de matemática. Até trouxemos umas cartas pra jogar como alternativa”, contou Noah. Já na Escola Estadual de Ensino Fundamental Rio de Janeiro, no bairro Cidade Baixa, o muro em frente foi pintado e grafitado para receber os alunos.

A diretora Silvia Goulart disse que o colégio estava preparado para iniciar as aulas na última segunda, porém houve concordância com o adiamento devido ao forte calor. “Concordo que as aulas deveriam ter iniciado no último dia 17. Agora, na quinta e na sexta, faremos dois dias de acolhimento para habituação dos alunos, e na segunda iniciamos pra valer”, comentou ela. Sobre os telefones celulares, a diretora afirmou que desde o ano passado a escola já proibia o uso pelos alunos durante as aulas. “Vai ser um desafio agora para os mais novos”.

Para o 1º vice-presidente do Cpers Sindicato, Alex Saratt, entidade autora da ação judicial que resultou no adiamento das aulas, não foi estabelecido um parâmetro para a educação que considera as mudanças climáticas em curso. “Não foi o sindicato que criou estas condições, inclusive ligadas às enchentes, mas nos apropriamos delas justamente para fazer um debate que interessa a todos. É esquecido que, nos últimos tempos, temos repetidamente batido recordes de temperaturas e estamos em período de estiagem. Não apenas o calor preocupa, mas a própria exposição ao sol”, afirmou ele, salientando que o debate no âmbito do Cpers será permanente quanto ao assunto.