Ensino

Após passar pela Região Metropolitana, projeto Viva Perifa revitaliza muros de três escolas de Porto Alegre

No Sarandi, colégio estadual recebe novas cores após ter sido duramente afetado pelas enchentes

Tiago Maria, professor de Português, foi o responsável por trazer o projeto à Escola Araújo Porto Alegre
Tiago Maria, professor de Português, foi o responsável por trazer o projeto à Escola Araújo Porto Alegre Foto : Pedro Piegas

Um muro de 161 metros quadrados na Escola Estadual de Ensino Fundamental Araújo Porto Alegre, no coração do bairro Sarandi, em Porto Alegre, está ganhando novas cores e desenhos graças ao projeto Viva Perifa, que pela primeira vez chega à Capital, depois de brilhar em cinco colégios de São Leopoldo, na região metropolitana.

Além deste colégio, outros dois estaduais de Porto Alegre receberão o projeto: o Recanto da Alegria, para alunos especiais, no Passo d’Areia, e o Dr. Gustavo Armbrust, no Jardim Itu. O Viva Perifa, com recursos da Lei Federal de Incentivo à Cultura, é incentivado pela Leroy Merlin, produzido pela Yabá Consultoria e coproduzido pela Aflora Cultural.

No Araújo Porto Alegre, o responsável pelo projeto é o artista Felipe Harp, morador do Sarandi e, assim como a totalidade do bairro, duramente afetado pelas enchentes. A pintura do muro externo, com a temática da literatura, iniciou na última sexta-feira, com previsão de término na próxima quarta, a depender das condições climáticas.

“O processo de criação está sendo totalmente diferente, porque é uma escola onde também estudei e tive contato com os professores. No muro, trago muito disto, o cenário de uma professora ensinando ao ar livre, e procuro também trazer muito da poesia na minha trajetória. É uma forma também de deixar uma arte para o colégio, e é algo muito gratificante”, disse ele, contando que um de seus primeiros grafites foi executado no muro do mesmo colégio ainda em 2002. Mas o projeto só tomou forma neste colégio graças ao professor de Português Tiago Maria.

“A escola teve 1,70 metro de água nas enchentes, então ela foi severamente afetada. A equipe da direção fez um trabalho muito profissional e rápido, trazendo ela de volta às atividades em cerca de 45 dias. O projeto é importante pois resgata um sentimento de pertencimento ao bairro”, disse o docente, que também trabalha com projetos de incentivo à leitura, visitas ao Museu da Cultura Hip Hop RS e inclusive a produção de um jornal próprio dos alunos, com assuntos do colégio e do bairro. Outra característica é que as tintas são adquiridas localmente, fomentando o comércio do Sarandi e região.

“Busquei saber sobre o projeto nas redes sociais e achei maravilhoso. Fiz contato por meio delas e recebei um feedback positivo. O artista conversou com as turmas, captou um pouco do espírito delas e resgatou esta alma da escola. Certamente, foi muito feliz na arte que escolheu aqui, e a comunidade escolar vai abraçar a escola de uma forma diferente”, acrescentou Tiago.

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