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Com abraço coletivo, Institutos Federais têm atos contra corte de verbas na educação

Estudantes e professores protestaram em frente ao campus de Porto Alegre na manhã desta segunda-feira

Por
Eric Raupp

Manifestação ocorreu nos Institutos Federais de todo país

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Sob uma fina chuva que caia em Porto Alegre na manhã desta segunda-feira, estudantes e servidores do Instituto Federal do Rio Grande Sul realizaram no campus da Capital um protesto contra o corte de 30% das verbas às universidades e institutos federais anunciadas pelo governo no final de abril. Às 11h40min, cerca de 150 pessoas se reuniram na sede do centro de ensino para, de mãos dadas, realizar um abraço coletivo no prédio localizado na esquina da rua Coronel Vicente com a avenida Voluntários da Pátria, no centro. O ato começou no átrio da sede da cidade, onde cartazes e faixas pedindo a reversão da medida estavam pendurados.

“Em todo o Brasil vai acontecer essa manifestação apartidária com alunos e professores das diferentes matrizes políticas. É o ato oficial, com a presença da direção. Esse corte, para nós, representa muito. O Ministério da Educação diz que tirou 3,5%, mas estão incluindo os salários nisso. Então, ao todo, foi 30% do custeio, que também inclui assistência estudantil”, comenta o diretor-geral do Campus Porto Alegre do IFRS, Marcelo Schmitt, que também explicou que a manifestação foi organizada pelo Conselho de Reitores dos IFs em reunião em Brasília, na última semana. O docente da área de informática e tecnologia da informação também comentou que, durante a semana, estarão expostos nas paredes externas do prédio trabalhos dos alunos para que a população possa ver o que é produzido nas salas de aulas e laboratórios.

Marcelo ainda realizou uma leitura da nota oficial Conselho Nacional das Instituições da Rede Federal de Educação Profissional, Científica e Tecnológica (Conif). “Mais de 50% dos municípios brasileiros são direta ou indiretamente atendidos pelos 647 campi, além dos nove polos de inovação, implantados em 568 cidades que, aliados às vocações locais, possibilitam conquistas tecnológicas a partir do acesso às diversas modalidades da educação profissional – do ensino técnico de nível médio à pós-graduação, incluindo a formação de professores. Em muitos casos, essas instituições representam a única oportunidade de qualificação profissional da comunidade”, falou, conforme o texto.

Vestindo preto, como grande parte dos manifestantes, a professora Luzia Kasper, que ajudou a desenvolver o Programa da Incubadora de Empresas do Campus Porto Alegre, projeto do qual esteve à frente até 2017, denunciou um sucateamento generelizado dos direitos sociais. “O que eles querem é cortar tudo, não é só a educação. Nada disso deveria existir. Há a Reforma da Previdência que é bastante polêmica também. Está tudo um absurdo”, comentou.

Durante o ato, pessoas que passavam na região demonstram apoio e repúdio à manifestação. Um coletivo e carros acenaram favoravelmente, com buzinas, e pedestres aplaudiram quando passaram pelo local. Na contramão, também houve gritos em apoio ao governo por motoristas e alguns transeuntes reclamam pela falta de possibilidade de transitar pela calçada.