Em entrevista à Rádio Guaíba nesta segunda-feira, a presidente do Ceed, Cecília Martins Farias, defendeu que as escolas devem trabalhar de todas as formas para tentar ajudar o aluno com problemas disciplinares ou dificuldade de aprendizagem e discordou que a medida proteja alunos transgressores. “O Estado oferece medidas que não são mais da esfera da escola nesses casos”, esclareceu
Cecília afirmou que havendo um problema disciplinar, a escola deve agir em conjunto com a família. “Não adianta nada deixar aluno em casa. O menino teve uma situação de inadequação de disciplina. A mãe e o pai trabalham. Ele vai ficar em casa fazendo o quê?”, questionou. Para a presidente do conselho, o problema não é onde o aluno está. “A escola deve ter um trabalho efetivo em que identifica este aluno e o atende de forma adequada”, completou.
Já o presidente do Sindicato do Ensino Privado (Sinepe), Bruno Eizerik, é contra a medida que, de acordo com ele, fere o direito da escola de determinar limites dentro do ambiente educacional. “Estamos transformando uma geração em Black Blocks. O limite vem de casa”, destacou. Segundo Eizerik, o Sinepe participa do Ceed e em nenhum outro estado há uma regra semelhante, em que não se pode punir com reclusão escolar alunos indisciplinados.
A preocupação de Eizerik é a autoridade do professor dentro de sala de aula.“Imagina como vai ficar a autoridade de um professor se o aluno não tem limite. Elas (crianças) precisam saber que o direito delas vai até onde esbarra no direito dos outros”, explicou. O Sinepe defende que a medida seja adotada apenas em escolas públicas para não influenciar as escolas particulares e manter a autonomia dessas instituições.