Conselho Universitário da Ufrgs decide destituir o reitor; decisão final cabe ao MEC

Conselho Universitário da Ufrgs decide destituir o reitor; decisão final cabe ao MEC

Sessão, realizada na manhã desta sexta-feira, teve protestos pela saída de Carlos André Bulhões

Correio do Povo e Rádio Guaíba

No início da manhã, integrantes do conselho realizaram um protesto na frente do prédio da Reitoria

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Por 59 votos a 7, integrantes do Conselho Universitário (Consun) da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (Ufrgs) decidiram, em sessão realizada nesta sexta-feira, pela destituição do reitor Carlos André Bulhões. Agora, o parecer da votação vai ser encaminhado ao Ministério da Educação (MEC), que define se aceita ou não o pedido de afastamento. No entanto, o Consun ainda não definiu o prazo de envio da decisão ao MEC.

A justificativa para o pedido é a reforma administrativa que o reitor implementou ao tomar posse, em setembro do ano passado, sem o aval do Consun. Entre as mudanças, Bulhões determinou a criação da Pró-Reitoria de Inovação e Relações Institucionais e a fusão entre pró-reitorias, juntando a de Graduação com a de Pós-Graduação, e a de Pesquisa com a de Extensão.

O conselho decidiu anular as fusões propostas por Bulhões. No entanto, o reitor da Ufrgs manteve a decisão, uma vez que a reitoria entende que as alterações são prerrogativas do ocupante do cargo máximo da instituição. 

A diretoria do Sindicato Intermunicipal dos Professores de Instituições Federais do Ensino Superior (Adufrgs/Sindical) afirmou, em nota, que não há registro de situação semelhante na história de uma das mais importantes universidades federais do país. 

“O reitor, que deveria preservar e incentivar os espaços democráticos que caracterizam a instituição universidade, tem patrocinado o desrespeito em relação ao órgão de representação da comunidade – o Conselho Universitário em suas atribuições estatutárias. A Adufrgs/Sindical afirma que tal postura macula a memória da Ufrgs que se consagrou como espaço de resistência democrática, de desenvolvimento científico e tecnológico, de promoção do debate amplo, da liberdade do livre pensamento e da divergência política”, cita o comunicado. 

Também por meio de nota, a reitoria da Ufrgs se defendeu, dizendo que não cometeu qualquer infração, e alegou que o conselho age motivado “por questões ideológicas”. 

Protestos 

No início dessa manhã, integrantes do conselho realizaram um protesto na frente do prédio da Reitoria. Na ocasião, o grupo, representado por membros do Diretório Central dos Estudantes (DCE), da Associação dos Servidores da Ufrgs (Assufrgs) e dos movimentos Juventude Ocupe e Juntos pediu a saída de Bulhões, escolhido pelo presidente da República, Jair Bolsonaro. O deputado federal Bibo Nunes (PSL), que trabalhou pela indicação de Bulhões, defendeu, na época, a “direita na Reitoria”. 

Eleição 

Bulhões, que é professor do Instituto de Pesquisas Hidráulicas (IPH), concorreu à Reitoria em 2020, mas ficou em terceiro na consulta com a comunidade acadêmica. Ainda assim, teve o nome escolhido pelo presidente da República – que não é obrigado a nomear o primeiro na votação interna para o cargo. Na ocasião, a confirmação gerou uma série de protestos de servidores e alunos da instituição de ensino.

*Com informações dos repórteres Cláudio Isaías e Everton Calbar 

 




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