Mesmo com negociação encaminhada com o governo do Estado, o Sindicato dos Professores Estaduais do RS (Cpers) confirma o início de greve por tempo indeterminado a partir de segunda-feira. A expectativa da entidade é de que grande parte das escolas estaduais amanheça com aulas suspensas. Durante o dia, os grevistas vão percorrer instituições de ensino para convencer mais colegas a cruzarem os braços. Ao contrário das paralisações promovidas no ano passado, que tiveram período determinado, a presidente do Cpers, Helenir Schürer, acredita que a greve poderá começar tímida e ganhar maior força após os primeiros dias.
“Temos a clareza de que a grande maioria, 30 dos 42 núcleos, queriam deflagrar a greve. Mas também todos nós sabemos que começa o trabalho de convencimento para além daqueles que participam mais efetivamente do sindicato. Acreditamos que esta será uma greve que irá num crescente. Não será como aquelas do ano passado, com tempo determinado, que tivemos adesão muito alta já de início”, projetou.
Apesar do receio de desconto nos salários, Helenir lembra que a compensação dos dias letivos obriga a governo a compensar o ponto. O acordo foi cumprido em relação aos dias parados no ano passado. A categoria aguarda apenas a reposição de três dias de paralisação de março deste ano, quando aderiu a protesto convocado pela Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação.
A primeira reunião com o governo foi marcada para as 9h da manhã de terça-feira, após professores ameaçarem acampar junto ao gabinete da Casa Civil. A comitiva foi até o Palácio Piratini ao final da assembleia geral que decidiu pela greve, no Ginásio Gigantinho, nessa sexta-feira. Os educadores exigem um calendário para o pagamento do piso nacional do magistério; reajuste retroativo de 13,01% referentes a 2015; 11,36% referentes a 2016 e aumento na Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) para 2017.
Os professores também cobram investimentos na infraestrutura das escolas, uma das principais reivindicações dos estudantes que iniciaram ocupações na última semana. Helenir garante que o movimento foi inteiramente organizado pelos alunos. Além de cinco escolas ocupadas na Capital e duas em Rio Grande, há previsão de novas mobilizações de estudantes em todo o Estado a partir de segunda-feira.
“Nos enche de satisfação porque todo o movimento tem sido coordenado e organizado pelos estudantes. E me deixa muito feliz saber que teremos e já temos estudantes com uma consciência muito maior e, com certeza, o resultado disso será uma sociedade mais cidadã e consciente de seus direitos”, avaliou a presidente do Cpers.
Cpers projeta greve com adesão crescente de professores a partir de segunda
Grevistas planejam percorrer instituições de ensino para convencer colegas a cruzarem os braços