* Com informações de Vitória Famer
"Isso é uma crônica de uma morte anunciada", disse o diretor do Colégio Dom Bosco, padre Marcos Sandrini, em entrevista à Rádio Guaíba nesta sexta-feira após o assassinato da mãe de um estudante do 7º ano nas proximidades da escola que fica no bairro Higienópolis, em Porto Alegre. O diretor - que atua há 14 anos na instituição - relatou que há muito tempo o colégio está sem segurança externa e existe um fluxo de até 20 mil alunos na região.
• Colégio suspende aulas após morte de mãe de aluno
"A escola pode até ter seus cuidados, mas não podemos contratar pessoas para fazer a segurança externa porque é legalmente proibido. Se colocarmos alguém armado é um problema; se colocarmos desarmado é outro problema. O assassinato da mãe, dona Cristine, não foi na rua Eduardo Santias, foi numa rua adjacente, na Ari Marinho, bem pertinho do colégio", explicou o diretor.
Sandrini se mostrou preocupado pelo fato de que o assassinato ocorreu no horário de saída dos estudantes: "Nós temos um grupo de menores que sai às 17h30min e os maiores, até o nono ano, que saem às 18h. Foi um crime à luz do dia, na presença de dezenas, centenas de pessoas. E isso foge ao alcance do colégio", argumentou o diretor.
"Não estou dizendo que nós não temos responsabilidade, a gente cansa de ir à Brigada Militar para pedir mais atenção, mas a resposta é sempre a mesma: 'não temos efetivo e não temos viatura' ", ponderou o diretor. "Nós nos preocupamos muito com a segurança interna. Temos 2 mil pessoas, entre professores e alunos do colégio e da faculdade. Muito triste perder a mãe de um aluno nestas circunstâncias. Muito dolorido", lamentou.
O diretor contou que a faculdade disponibilizou táxis, gratuitamente, para os estudantes percorrerem o trajeto até a avenida Assis Brasil, que fica a 500 metros. "É competência da faculdade fazer isso? Não é. Mas se a gente não fizer, o que acontece? Já é tão difícil estudar, os alunos têm que trabalhar e estudar. A educação vai à falência", declarou.
Segundo Sandrini, no Rio Grande do Sul há 52% de adolescentes, entre 15 e 18 ano, fora da escola."Qual o futuro dessas pessoas que não podem trabalhar a não ser de jovem aprendiz? Eu não estou dizendo que a pessoa (assaltante) não tem responsabilidade, tem sim. Essa pessoa que matou a mãe tem responsabilidade e vai ter que pagar pelo que fez. mas podemos evitar muito disso com uma melhor educação", defendeu.
Sinepe emite nota
O Sindicato do Ensino Privado do Rio Grande do Sul (Sinepe/RS) lamentou em nota, divulgada nesta sexta-feira, o assassinato ocorrido nas imediações do Colégio Dom Bosco. O sindicato pretende reunir-se com o governo do Estado na próxima semana para cobrar ações efetivas para a área da Segurança.
Segundo dados preliminares de pesquisa do Sinepe, 74% das escolas particulares gaúchas aumentaram os investimentos em segurança em comparação ao ano passado. Para o presidente, Bruno Eizerik, mesmo com este investimento, que visa dar tranquilidade às famílias, “é importante frisar que a Segurança é de competência do poder público e não pode a escola arcar com mais esta responsabilidade”.
Na próxima segunda-feira, o sindicato reunirá as escolas particulares da região Metropolitana para discutir, entre outros assuntos, a segurança no em torno das escolas.
"Crônica de uma morte anunciada", lamenta diretor do Dom Bosco
Mãe de aluno foi assassinada nas proximidades de colégio de Porto Alegre