Ensino

"Crônica de uma morte anunciada", lamenta diretor do Dom Bosco

Mãe de aluno foi assassinada nas proximidades de colégio de Porto Alegre

Mãe de aluno foi assassinada nas proximidades de colégio de Porto Alegre
Mãe de aluno foi assassinada nas proximidades de colégio de Porto Alegre Foto : Guilherme Testa
* Com informações de Vitória Famer

"Isso é uma crônica de uma morte anunciada", disse o diretor do Colégio Dom Bosco, padre Marcos Sandrini, em entrevista à Rádio Guaíba nesta sexta-feira após o assassinato da mãe de um estudante do 7º ano nas proximidades da escola que fica no bairro Higienópolis, em Porto Alegre. O diretor - que atua há 14 anos na instituição - relatou que há muito tempo o colégio está sem segurança externa e existe um fluxo de até 20 mil alunos na região.

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"A escola pode até ter seus cuidados, mas não podemos contratar pessoas para fazer a segurança externa porque é legalmente proibido. Se colocarmos alguém armado é um problema; se colocarmos desarmado é outro problema. O assassinato da mãe, dona Cristine, não foi na rua Eduardo Santias, foi numa rua adjacente, na Ari Marinho, bem pertinho do colégio", explicou o diretor.

Sandrini se mostrou preocupado pelo fato de que o assassinato ocorreu no horário de saída dos estudantes: "Nós temos um grupo de menores que sai às 17h30min e os maiores, até o nono ano, que saem às 18h. Foi um crime à luz do dia, na presença de dezenas, centenas de pessoas. E isso foge ao alcance do colégio", argumentou o diretor.

"Não estou dizendo que nós não temos responsabilidade, a gente cansa de ir à Brigada Militar para pedir mais atenção, mas a resposta é sempre a mesma: 'não temos efetivo e não temos viatura' ", ponderou o diretor. "Nós nos preocupamos muito com a segurança interna. Temos 2 mil pessoas, entre professores e alunos do colégio e da faculdade. Muito triste perder a mãe de um aluno nestas circunstâncias. Muito dolorido", lamentou.

O diretor contou que a faculdade disponibilizou táxis, gratuitamente, para os estudantes percorrerem o trajeto até a avenida Assis Brasil, que fica a 500 metros. "É competência da faculdade fazer isso? Não é. Mas se a gente não fizer, o que acontece? Já é tão difícil estudar, os alunos têm que trabalhar e estudar. A educação vai à falência", declarou. 

Segundo Sandrini, no Rio Grande do Sul há 52% de adolescentes, entre 15 e 18 ano, fora da escola."Qual o futuro dessas pessoas que não podem trabalhar a não ser de jovem aprendiz? Eu não estou dizendo que a pessoa (assaltante) não tem responsabilidade, tem sim. Essa pessoa que matou a mãe tem responsabilidade e vai ter que pagar pelo que fez. mas podemos evitar muito disso com uma melhor educação", defendeu. 

Sinepe emite nota 

O Sindicato do Ensino Privado do Rio Grande do Sul (Sinepe/RS) lamentou em nota, divulgada nesta sexta-feira, o assassinato ocorrido nas imediações do Colégio Dom Bosco. O sindicato pretende reunir-se com o governo do Estado na próxima semana para cobrar ações efetivas para a área da Segurança.

Segundo dados preliminares de pesquisa do Sinepe, 74% das escolas particulares gaúchas aumentaram os investimentos em segurança em comparação ao ano passado. Para o presidente, Bruno Eizerik, mesmo com este investimento, que visa dar tranquilidade às famílias, “é importante frisar que a Segurança é de competência do poder público e não pode a escola arcar com mais esta responsabilidade”.

Na próxima segunda-feira, o sindicato reunirá as escolas particulares da região Metropolitana para discutir, entre outros assuntos, a segurança no em torno das escolas.