Ensino

Crie o Impossível mobiliza milhares de alunos de escolas públicas no Beira-Rio, em Porto Alegre

Evento deste ano, com a presença de influenciadores digitais, teve como destaque o papel da educação na reconstrução do RS

Foto : Camila Cunha

O Estádio Beira-Rio, em Porto Alegre, recebeu um público diferente e igualmente animado nesta quinta-feira. Milhares de estudantes do Ensino Médio de escolas públicas, junto com seus professores e demais representantes, acompanharam a 5ª edição do Crie o Impossível, evento da ONG Embaixadores da Educação realizado pela segunda vez no Rio Grande do Sul. Neste ano, o foco foi a reconstrução do Estado após as enchentes. Influenciadores e palestrantes trouxeram suas experiências de vida e de realização de sonhos ao gigantesco palco montado no local.

Considerada a maior aula aberta do país, o evento, também transmitido pela Internet para escolas parceiras, uniu os dois principais clubes da Capital, o Grêmio Foot-Ball Porto Alegrense e o Sport Club Internacional, em prol da educação. “A ideia do Crie o Impossível é ser o dia mais inspirador na vida do aluno da escola pública, para que ele possa fortalecer seus sonhos depois da tragédia. Esta edição é a mais especial para nós até agora, porque muitos destes alunos foram profundamente impactados pelas chuvas”, salientou a CEO da Embaixadores da Educação, Guilhermina Abreu.

Para ela, um evento que traz esperança aos estudantes é “importante e relevante”. “Nossa ideia também é trazer grandes empreendedores ou alunos que escolas públicas que na edição passada estavam na plateia, para que eles possam ver o exemplo de pessoas que fazem acontecer, colocaram a mão na massa e mudaram suas trajetórias”, acrescentou. Uma das convidadas foi a dançarina profissional e influenciadora digital porto-alegrense Ramana Borba, cujas redes sociais, somadas, têm mais de oito milhões de seguidores.

“É muito emocionante estar aqui. O Crie tem o objetivo de impulsionar sonhos, e muitas vezes eu, como estudante de escola pública, me sentia incapaz de realizá-los, ou tinha muitas dúvidas sobre meu futuro. Além de voltar para meu Estado, sou uma menina preta gaúcha, então passei por muitas coisas na minha vida onde faltava representatividade. Vivemos ainda em um mundo muito preconceituoso, com racismo, e portanto, este projeto, destacando ainda pessoas pretas, é muito importante”, disse ela.

Professores da Escola Estadual de Ensino Médio Professor Sarmento Leite, do bairro Cristo Redentor, na Capital, Carla Cibele Finkler, de Literatura, e Jeff Ramos, de Sociologia, celebraram a iniciativa. “Trouxemos todo nosso Ensino Médio, mais o 9º ano do Ensino Fundamental, para que eles se motivem a alcançarem seus objetivos. Trabalhamos isto bastante com os estudantes. Acreditamos que um evento assim possa despertar neles seu projeto pessoal de vida”, disse Cibele.

“É uma forma também de sair da sala de aula, proporcionar uma socialização entre eles, porque, sem isso, a educação não funciona”, acrescentou Ramos. A aluna Vitória Zahn, 18 anos, do 3º ano do Ensino Médio, disse que ela, também uma mulher negra, se sentiu representada no evento. “Hoje em dia, é muito difícil ver mulheres negras sendo destacadas, então ver como a Ramana está ganhando inclusive prêmios, podemos chegar aonde queremos”, comentou ela.