Por Maria José Vasconcelos e Augusto Both*
Questões climáticas e impactos ambientais têm sido temas cada vez mais envolvidos no currículo escolar. Provocam debates, geram ações, além de motivar variados trabalhos e projetos em sala de aula. A gestão educacional igualmente se mobiliza a partir deste desafio mundial – desde repensar construções de escolas, para que sejam mais adequadas e resilientes ao clima; até desenvolver propostas de ensino capazes de atender alunos em situações adversas, garantindo a aprendizagem.
A Conferência das Nações Unidas sobre as Mudanças Climáticas de 2025 (COP30) é outro incentivo pedagógico. O evento, entre 10 e 21/11, em Belém (Pará), expande a discussão sobre os atuais problemas, as necessidades e proposições para melhoria do cenário ambiental no mundo, pois trata-se de dano que já afeta o dia a dia das populações de todas as nacionalidades.
Neste mês, em apoio às políticas públicas no país, o Ministério da Educação (MEC) – em parceria com a União Nacional dos Dirigentes Municipais de Educação (Undime), o Instituto Reúna e o Vozes da Educação – lançou o “Guia de Ações Educacionais em Resposta a Emergências Climáticas”. A publicação sugere respostas a situações climáticas extremas nas escolas, e apresenta diretrizes para ações pedagógicas de Educação Ambiental. O documento, contendo 28 páginas, é parte do Pacto Nacional pela Recomposição das Aprendizagens, que se baseia em três áreas prioritárias: clima escolar e pessoas (acolhimento e atenção às comunidades escolares), dinâmica e processos (organização e otimização operacional das escolas), e ensino e aprendizagem (adaptação de métodos e instrumentos didáticos).
No Brasil, segundo o Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef), mais de 1 milhão de estudantes foram impactados negativamente pelas mudanças climáticas em 2024. “Quando a gente está falando de recomposição, o foco é a aprendizagem adequada (...). Essa é a importância do guia: reconhecer que as mudanças climáticas e as emergências climáticas são uma realidade”, explica Ana Valeria Dantas, coordenadora-geral de Estratégia da Educação Básica do MEC. A elaboração deste texto começou em 2024, quando a política da Recomposição das Aprendizagens estava sendo estruturada, e as enchentes no Rio Grande do Sul chamaram atenção para os efeitos diretos das crises ambientais na Educação. Por isso, atuações diversas procuram reduzir perdas pedagógicas em situações emergenciais.
O recente Guia de Ações Educacionais do MEC reúne propostas de curtíssimo, curto e médio prazo. No primeiro estágio, recomenda o mapeamento de danos estruturais, físicos e psicológicos. Depois, orienta medidas para viabilizar a reabertura dos espaços educacionais. E em médio prazo, o foco recai sobre a criação de estratégias para permanência de estudantes pertencentes a grupos em maior vulnerabilidade diante dos efeitos das crises. Além disso, o material aponta questões transversais, como práticas escolares sensíveis ao trauma, letramento climático e a educação para a resiliência.
Secretários de Educação
As mudanças climáticas foram pauta presente na Reunião do Conselho Nacional de Secretários de Educação de Capitais (Consec), que ocorreu nesta semana (11 e 12/9) em Porto Alegre. Além de debates, troca de experiências e busca de soluções, os secretários do país visitaram escolas municipais profundamente afetadas pela enchente de 2024.
Na Escola Municipal de Educação Básica Liberato Salzano Vieira da Cunha, no bairro Sarandi, na Capital, os dirigentes conheceram fatos marcantes no local e puderam verificar a exata altura que as águas chegaram ao atingir o prédio. Foi registrada na placa “Águas de Maio”, inaugurada junto com a reabertura da escola, em janeiro deste ano.
Em outro momento da visita, após apresentação da Secretaria de Educação de Porto Alegre (Smed) sobre consequências e medidas adotadas em razão das cheias de 2024, os dirigentes trataram sobre estratégias e ações diante de diferentes catástrofes enfrentadas no território brasileiro.
O secretário de Educação de Natal (Rio Grande do Norte), Aldo Fernandes de Sousa Neto, relatou que a percepção do tema também é de suma importância na outra ponta do país. Em contraste ao cenário enfrentado no RS, revelou que o ambiente escolar na região tem um histórico de enfrentamento de secas prolongadas, que acaba afetando o sistema de ensino em todas as esferas: estrutural, organizacional e pedagógico.
Por isso, o dirigente propôs a união de esforços e trabalho entre os órgãos, com parcerias para além das capitais brasileiras, para mobilizar secretarias de demais cidades, especialmente as que também são afetadas. E ainda advertiu sobre a necessidade de incluir a comunidade escolar no processo, saindo do campo teórico e mostrando a importância dos estudantes e profissionais para conscientização, envolvimento e efetiva atuação da população neste debate.
*Sob supervisão de Maria José Vasconcelos