Várias entidades ligadas ao ensino gaúcho — como a Associação de Supervisores e Orientadores Educacionais, Comissão de Educação da Assembleia Legislativa, Faculdade de Educação da Universidade Federal do RS (Faced/Ufrgs), Instituto Federal do RS (IFRS), Cpers-Sindicato e Associação dos Trabalhadores em Educação do Município de Porto Alegre (Atempa) — entregaram à Secretaria Estadual da Educação (Seduc), na manhã desta quarta-feira (22/5), um documento que sugere mais de 30 medidas e ações para enfrentar problemas gerados pelas enchentes no estado.
O manifesto "Reconstrução da Educação no RS", que visa agregar atuações no setor em fase de pós emergência climática devastadora no RS, foi entregue à secretária da educação, Raquel Teixeira. A informação é da deputada estadual Sofia Cavedon, presidente da Comissão de Educação, Cultura, Desporto, Ciência e Tecnologia da Assembleia Legislativa (AL), após reunião (em 14/5) com mais de 70 representantes de comunidades escolares. O grupo discutiu e apresentou um conjunto de propostas para a educação, de curto e médio prazo, que podem ser implementadas pelos poderes público federal, estadual e municipal, para a superação de dificuldades vividas neste momento de calamidade pública, com as cheias que assolam diferentes regiões do estado. O documento também será protocolado no Ministério Público Estadual e na Prefeitura de Porto Alegre e dos demais municípios atingidos.
"É um momento sensível, onde muitas pessoas perderam suas casas, dentre elas muitos trabalhadores em educação e alunos. Precisamos somar esforços, no sentido de observar e garantir a saúde física, mental e material de todos. Da mesma forma, esta fragilidade vai trazer reflexos no processo ensino-aprendizagem, que não se resolverão em curto prazo, exigindo, então, esforço coletivo e solidário de todos nós", avalia Sofia. Entre o conjunto de propostas capazes de beneficiar o ensino e ao alcance de autoridades públicas, as entidades destacam algumas medidas:
• Garantir que os recursos financeiros extras cheguem às escolas com agilidade e equidade, de forma a possibilitar a limpeza, compra de materiais e equipamentos.
• Assegurar que as escolas atingidas pelas enchentes sejam reconstruídas com qualidade, e que não tenham caráter provisório.
• Oferecer autonomia pedagógica às escolas para diagnosticar sua comunidade e recompor o currículo.
• Considerar a realidade de cada escola e região , não impondo a retomada das aulas de forma única para as redes de ensino.
• Promover a escuta ativa (feita pelas secretarias de educação) de professores, funcionários e estudantes.
• Executar diagnóstico com foco nos profissionais de educação e seus familiares, para que os atingidos tenham um período para recompor suas casas e estruturar as famílias.
• Recuperar o trabalho pedagógico, preferencialmente de forma presencial.
• Implementar o tema da educação ambiental de forma efetiva no currículo escolar.
• Garantir logística para a situação de professores e servidores que têm que se locomover de uma cidade para outra para poderem trabalhar.
• Considerar as contribuições de universidades públicas e institutos federais do RS no auxílio educacional que podem proporcionar em resposta a essa catástrofe.