Ensino

Escolas estaduais continuam fechadas

Greve dos professores segue até a sexta-feira quando será realizada uma assembleia geral

Escolas estaduais continuam fechadas
Escolas estaduais continuam fechadas Foto : Samuel Maciel
O quadro das escolas estaduais na manhã desta terça-feira foi o mesmo da semana passada. A maioria estava fechada ou com realização de parte das atividades. Os professores decidiram manter a greve até o dia 11, quando será realizada assembleia geral. Alguns docentes que não aderiram ao movimento não conseguiram dar aula porque os alunos não compareceram a determinadas escolas.

Esse foi o caso da Escola Técnica Estadual Senador Ernesto Dornelles. A diretora Irene Longhi explicou que quase todos os 80 servidores, entre funcionários e professores, estavam parados. Porém, nenhum estudante compareceu na instituição nesta terça. Ela declarou que a reivindicação da classe não é apenas o pagamento do salário em dia, mas também a retirada de projetos de ajuste fiscal enviados para a Assembleia Legislativa pelo governo.

A dificuldade financeira já vem afetando as instituições desde o início do ano. O repasse para manutenção da escola, por exemplo, está atrasado há dois meses. São R$ 10 mil a menos para pagar as despesas. Caso o Estado não pague, é possível que o telefone seja cortado. Os recursos são utilizados para comprar também material de limpeza e fazer reparos. Como o colégio tem cerca de cem anos, são constantes as pequenas obras de emergência. “Como nosso administrador é muito contido, temos dinheiro em caixa”, disse.

Os professores do Ernesto Dornelles se reuniram para decidir como se posicionar e como seriam os rumos da greve. Irene afirmou que ainda não há definição sobre a reposição das aulas e adequação do calendário. A Secretaria Estadual da Educação orientou as direções para protocolar junto às coordenadorias regionais a proposta de calendário, assim que for normalizada a situação. As datas devem ter a concordância dos pais. A legislação prevê a carga horária mínima de 800 horas para o Ensino Fundamental e Ensino Médio noturno. No Ensino Médio diurno, são 1 mil horas. Em ambos os casos, as aulas precisam estar distribuídas em, no mínimo, 200 dias letivos.

Enquanto isso, os pais seguem com a rotina alterada para cuidar dos filhos. Muitos não têm com quem deixar as crianças. “Pai nenhum gosta de alunos sem aula. Como sempre os estudantes e as famílias são prejudicados”, observou a presidente da Federação das Associações e Círculos de Pais e Mestres do Rio Grande do Sul, Berenice da Costa. Ela disse que os pais devem participar da formatação dos calendários. “Não podem se omitir. A educação já está ruim e a recuperação das aulas é precária.”