Ensino

Especialista em crimes cibernéticos do Ministério da Justiça participa da aula inaugural da Fabin

Delegado federal Alesandro Barreto, referência nacional, alerta para o avanço das ameaças digitais e destaca desafios jurídicos e psicológicos na proteção de jovens

O delegado destacou que a sensação de pertencimento e a busca por identidade são fatores que impulsionam crimes de ódio
O delegado destacou que a sensação de pertencimento e a busca por identidade são fatores que impulsionam crimes de ódio Foto : Fabiano do Amaral

A Faculdade Brasileira de Inovação (Fabin) realizou, na noite desta quinta-feira, 14, sua aula inaugural no auditório do Espaço Força e Luz, no Centro Histórico de Porto Alegre. O tema escolhido para marcar o início do semestre foi “Crimes de ódio contra crianças e adolescentes na Internet”, apresentado por Alesandro Barreto, Delegado de Polícia e coordenador do Laboratório de Operações Cibernéticas da Secretaria Nacional de Segurança Pública do Ministério da Justiça.

O evento foi aberto pelo professor Marcelo Magalhães, seguido da fala da diretora acadêmica da Fabin, professora Valquíria Vente. “Estamos iniciando um novo caminhar com vocês, e estou muito feliz também em poder estar com vocês nesta palestra com o nosso ilustre convidado”, afirmou.

Na palestra, Barreto traçou um panorama da evolução tecnológica e seu impacto na criminalidade. “Quando comecei na polícia, era com máquina de datilografar. A delegacia regional que eu fui trabalhar, o banco da entrada, que as pessoas ficavam esperando, era um banco de um jipe. Quando você olha pra frente e diz o que vai ocorrer daqui a alguns anos, às vezes você erra a leitura, às vezes acerta. E qual foi a leitura que eu fiz? O mundo vai estar conectado”, relembrou.

O delegado destacou que a sensação de pertencimento e a busca por identidade são fatores que impulsionam crimes de ódio. “Hoje, todo mundo quer pertencer a algum grupo. Eu vi garotos do interior de estados do Nordeste se autointitulando neonazistas — e não sabem nem o que é isso”, afirmou.

Delegado Alesandro Barreto | Foto: Fabiano do Amaral

Ao tratar dos desafios jurídicos e psicológicos para a proteção de crianças e adolescentes, Barreto ressaltou que o ódio é um fenômeno antigo, mas potencializado pela internet. “O ódio sempre existiu e sempre vai existir. Qual é a diferença na internet? Aquilo é propagado de uma maneira mais rápida”, explicou, citando o anonimato como fator agravante.

Além de sua atuação na área policial, Barreto é autor de livros sobre crimes cibernéticos e já ministrou treinamentos para forças de segurança em diferentes estados brasileiros.

Perfil

Delegado de Polícia e coordenador do Laboratório de Operações Cibernéticas da Secretaria Nacional de Segurança Pública do Ministério da Justiça, Alesandro Barreto é especialista no enfrentamento a crimes virtuais. Com mais de duas décadas de atuação na segurança pública, é autor de livros sobre crimes cibernéticos e tem experiência na formação de policiais e agentes em todo o país. Barreto é referência nacional na investigação de delitos cometidos no ambiente digital, com foco especial na proteção de crianças e adolescentes.

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