Grande parte dos mais de 60 mil alunos de instituições privadas que contam com o benefício do Fundo de Financiamento Estudantil (Fies), no Rio Grande do Sul, ainda não tem garantias de financiamento para o semestre que inicia. Uma das alterações Ministério da Educação (MEC), neste ano, definiu que os reajustes de mensalidades acima de 6,41% não serão cobertos pelo programa. Assim, estudantes de universidades como a Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (Pucrs), que aumentou os valores em 7,54%, temem ter de arcar com a diferença do próprio bolso, sem o prazo para financiamento pelo governo federal.
“Já comecei as aulas, mas estou com esse medo de, com as novas regras do Fies e essa questão da Puc, eles possam vir a cobrar esse 1% de diferença das mensalidades”, relata a estudante do 5º semestre do curso de Pedagogia, Daiane Silva de Matos. Procurada pela reportagem, a Pucrs ainda não informou como os alunos matriculados através do Fies serão afetados pela mudança.
Outros milhares de estudantes foram impedidos de solicitar o financiamento, em 2015, devido à exigência de uma nota maior no Exame Nacional do Ensino Médio (Enem). O MEC passou a cobrar 450 pontos nas provas, enquanto a avaliação média dos alunos que saem de escolas públicas é de 370 pontos. Assim como outras entidades que representam as instituições de ensino privado no país, o Sindicato do Ensino Privado do Rio Grande do Sul (Sinepe-RS) ingressou na Justiça contra as duas restrições. Até agora, no entanto, o governo federal não deu sinais de que possa recuar nos novos critérios.
Mesmo aqueles que não foram afetados pelas mudanças do MEC enfrentam dificuldades para fazer o cadastro no Fies, devido à instabilidade do sistema. “O site está congestionado, não entra nas páginas principais, não segue adiante até a etapa final de contratação do Fies. Começaram as aulas e eu ainda não estou estudando porque não consegui me cadastrar no FIES”, relata Vinícius Ribeiro da Silva, que esperava ingressar no 2º semestre do curso de Publicidade e Propaganda, na Centro Universitário Ritter dos Reis (Uniritter).
O presidente do Sinepe-RS, Bruno Eizerik, tranquiliza os estudantes e recomenda que retornem às aulas normalmente, até que alternativas sejam encontradas. Embora cada universidade possa adotar medidas independentes, o sindicato orienta a busca de soluções para que os alunos não sejam prejudicados. “Isso não pode prejudicar os alunos. As instituições de ensino estão ao lado dos alunos, recebendo-os para assistir às aulas e, na medida do possível, estamos fazendo o aditamento do Fies. Quando não é possível, está se cobrando uma diferença dos alunos que não seja possível financiar. Mas nossa posição é de que os alunos não serão prejudicados por essas ações, tomadas unilateralmente pelo MEC. O ministério é inflexível em relação às decisões. O Sinepe já ingressou na Justiça em relação ao teto de aumento das mensalidades e à nota de corte”, garante Eizerik.
Estudantes de universidades privadas do RS recomeçam aulas sem garantias do Fies
Renovação do financiamento e ingresso de novos alunos no programa são prejudicados por alterações do MEC