Ensino

Estudantes que ocupam escolas anunciam novo protesto nesta segunda

Governo do RS encaminha ação judicial para desocupação

Governo do RS encaminha ação judicial para desocupação
Governo do RS encaminha ação judicial para desocupação Foto : Alina Souza
Enquanto o governo do Rio Grande do Sul vai encaminhar uma ação judicial para pedir a liberação do acesso às escolas públicas ocupadas, os estudantes reforçam a resistência e anunciam novo protesto, para tarde desta segunda-feira, no Centro de Porto Alegre.

O "Dia D – Ocupa Tudo"  terá concentração em frente ao Palácio Piratini, a partir das 14h, e possível caminhada ao longo da tarde. Como já haviam anunciado na sexta-feira, os alunos não atenderam ao prazo dado pelo Piratini para desocupação e retomada das aulas hoje.

Em nota do Comando Estudantil das Escolas Ocupadas, os secundaristas reconhecem alguns avanços nas propostas apresentadas pela Secretaria da Educação, como a liberação de uma verba emergencial de R$ 40 milhões para reformas, mas as consideram insuficientes.

Uma insistência dos estudantes é que o Executivo garanta, de antemão, que não irá sancionar o projeto de lei "Escola sem Partido", de autoria do deputado Marcel van Hattem (PP), caso seja aprovado na Assembleia Legislativa. Eles também pedem a retirada do PL 44, que pode ampliar a interferência de empresas privadas e serviços terceirizados na educação pública.

Representante do grêmio estudantil da Escola Estadual Emílio Massot — a primeira ocupada no Estado —, o estudante Marcos Mano garante que a decisão de permanecer ocupando as escolas foi tomada de forma conjunta entre os movimentos estudantis. “Estamos ocupando desde 11 de maio e vamos continuar firmes e fortes contra esse governo que quer privatizar as escolas e tirar direitos dos alunos de falar sobre política, gêneros e religião dentro da nossa própria escola. Isso é um absurdo”, disse.

O movimento estudantil também lamenta que o governo tenha enviado mensagens de áudio aos pais, durante o final de semana, sugerindo que as aulas seriam retomadas normalmente nesta segunda. O grupo entende que a iniciativa pode incitar o antagonismo violento entre colegas, pais e professores. Ainda, exigem, para desocupar os colégios, que o governo anule possíveis transferências de alunos ocupantes ou qualquer outro tipo de retaliação.

O secretário da Educação do Estado, Luís Alcoba de Freitas, reforçou que, mesmo com a judicialização do caso, não está fechado a novas tentativas de diálogo. O apelo do governo é para que os estudantes permitam a entrada de colegas e professores que não aderem ao movimento, para retomada do ano letivo. A manutenção de acampamentos nos colégios seria tolerada.

A Procuradoria Geral do Estado (PGE) afirma que a ação ainda está sendo finalizada e não divulga o formato do pedido a ser levado à Justiça. O governo contabiliza 120 colégios ocupados em todo o Estado, enquanto o movimento estudantil afirma que são cerca de 160. Já a greve dos professores tem adesão de cerca de 70%, segundo o Cpers Sindicato, embora o governo não divulgue estimativa.