Ensino

Estudantes que sofrem bullying têm pior desempenho escolar, aponta estudo

Pesquisa entrevistou 44.900 alunos brasileiros do 4º e 8º ano do Ensino Fundamental

A proposta surgiu a partir de relatos de professores sobre dificuldades de enfrentar comportamentos de agressão e violência de alunos nas escolas
A proposta surgiu a partir de relatos de professores sobre dificuldades de enfrentar comportamentos de agressão e violência de alunos nas escolas Foto : Marcos Santos / USP Imagens / CP

O Estudo Internacional de Tendências em Matemática e Ciências (Timss), divulgado na última quarta-feira (4/12), apontou a influência do bullying no desempenho escolar dos estudantes brasileiros do Ensino Fundamental. Os que relataram sofrer bullying tiveram até 72 pontos a menos do que aqueles que disseram nunca ter sofrido esse tipo de violência, caracterizada por apelidos pejorativos, expressões preconceituosas, insultos e, em alguns casos, ataques físicos.

Esta é a primeira vez que o Brasil participa do Timss, estudo realizado pela Associação Internacional para a Avaliação do Desempenho Educacional (IEA) que mede os conhecimentos em ciências e matemática de estudantes do 4º e 8º ano do Ensino Fundamental. Além de responder as avaliações, os 44.900 participantes brasileiros, de escolas públicas e privadas, preencheram questionários sobre a escola, o ambiente familiar, a sala de aula, o contexto do país e outros aspectos.

As informações levantadas mostram que, no 4º ano, 24% dos alunos afirmaram sofrer bullying; esses estudantes apresentaram uma média de desempenho de 368 pontos em matemática e 387 pontos em ciências. Pelos critérios do exame, as pontuações colocam esses estudantes em um nível abaixo do considerado baixo (mínimo de 400 pontos).

Por outro lado, 48% dos estudantes que relataram nunca ou quase nunca terem sofrido bullying alcançaram uma média de 427 e 459 pontos.

A situação se repete no 8º ano. Os 23% dos alunos que indicaram sofrer bullying tiveram média de 384 pontos em ciências e 346 pontos em matemática, contra 446 e 403, respectivamente, dos que alegaram não ter sofrido bullying.