Ensino

Grupo de Relações Internacionais aprende e ensina diplomacia no Ensino Médio

Há dez anos, o Grupo de Relações Internacionais do Colégio Farroupilha, em Porto Alegre, promove debates e participa de simulações que discutem a geopolítica mundial; integrantes estão nos EUA para eventos em Harvard e Yale

Time do Grupo de Relações Internacionais do Colégio Farroupilha vai aos EUA para participar de simulações em Yale e Harvard
Time do Grupo de Relações Internacionais do Colégio Farroupilha vai aos EUA para participar de simulações em Yale e Harvard Foto : Paula Derzete / Especial / CP

Pesquisa, escrita, argumentação, oratória, mediação de tensões e conflitos: essas são algumas das habilidades desenvolvidas pelos participantes do Grupo de Relações Internacionais (GRI) do Colégio Farroupilha, em Porto Alegre, segundo o professor coordenador Saul Chervenski. Há dez anos na ativa, o GRI já iniciou, no mundo da geopolítica e das relações diplomáticas, diversos estudantes da instituição, do 9° ano do Ensino Fundamental ao 3° ano do Médio.

Este ano, o grupo – que disputou a final do Campeonato Brasileiro de Simulações da ONU 2024, em Brasília – já abre as atividades em grande estilo. Em janeiro, o grupo participa de debates na Yale MUN e na Harvard MUN, ambos nos Estados Unidos. “Toda essa vivência estimula o desenvolvimento de liderança, baseada em comunicação assertiva, escuta ativa e empática, bom convívio em sociedade e respeito à diversidade e ao próximo”, considera Saul.

Pedro Azevedo, aluno do 3° ano do Ensino Médio do Farroupilha, participa do GRI há quatro anos – e sem perder o entusiasmo. “É um espaço onde muita gente acaba se achando. O professor Saul, ao mesmo tempo que nos ajuda, nos dá autonomia, e acho que isso é o mais importante. O grupo realmente forma cidadãos para o mundo”, comenta o estudante, que no ano passado assumiu a presidência do coletivo. Nos encontros quinzenais, ele revela que os integrantes discutem tópicos da geopolítica global, fazem dinâmicas – “às vezes complexas, às vezes mais divertidas” – e promovem debates entre si.

Essas e outras atividades acabam por preparar os alunos para eventos de simulação de reuniões da Organização das Nações Unidas (ONU). “Nas simulações, o estudante representa um determinado país e tem que defender a posição deste país em relação a um tema predefinido, podendo, assim, vivenciar, para além de sua condição de estudante, o papel de um diplomata”, explica o coordenador.

Na última terça-feira (21/1), sete integrantes do GRI (Nicole Garcia, Pedro Azevedo, Lívia Simonaggio, Isadora Baldissera, Felipe Haas, Maria Eduarda Menezes e Maria Eduarda Fraga) embarcaram para Nova Iorque para participar de simulações da ONU promovidas por duas prestigiadas universidades estadunidenses: Yale e Harvard. A simulação da primeira instituição termina neste domingo (26/1).

Para Maria Eduarda Fraga, uma das integrantes do GRI que participa do evento, a experiência é transformadora. “É incrível conhecer pessoas de vários lugares que compartilham dos mesmos interesses. Penso em me divertir muito e estou bem ansiosa para os próximos dias.” A estudante conta que, após o Ensino Médio, pretende cursar Direito. “Eu entrei no GRI porque tenho uma paixão por debater, discursar, argumentar, interagir com outras pessoas e o grupo também funciona como um espaço de debate. Essa premissa me chamou atenção. Fui no primeiro encontro de 2023 e nunca mais saí”, conta.

Na quinta-feira (30/1) terá início a simulação de Harvard, em Boston, a mais antiga voltada a estudantes secundaristas. Para Saul, a vivência no grupo e a participação em simulações faz os alunos “aprenderem a aprender”. “É a união do conhecimento à prática. O estudante fica mais confiante na sua capacidade de aprender e de utilizar estratégias mais eficientes para o seu aprendizado”, afirma o professor.

RS na final

Conquista recente do grupo foi a presença na final do Campeonato Brasileiro de Simulações da ONU (CBS ONU) 2024. Em dezembro, Pedro Azevedo foi a Brasília competir com outros delegados de todo o país. Nesta edição, os estudantes debateram sobre a exploração do Ártico. “Eu já tinha me preparado para o tema, mas só no dia descobrimos qual país vamos representar e, com isso, qual posicionamento vamos defender”, explica Pedro, que foi escolhido para representar a Costa Rica. “Apesar de tudo ser uma simulação, é uma simulação muito próxima da realidade. Uma madrugada, nos acordaram às três da manhã para discutir uma crise no Ártico, porque é o que os diplomatas fazem, já que não tem horário para estourar uma crise mundial”, comenta.

| Foto: Leticia Carvalho / Especial / CP

  

   Apesar de não integrar o ranking dos oito melhores do campeonato, ele está muito orgulhoso de sua participação – principalmente porque foi o primeiro (e único) gaúcho a participar da final do campeonato. O estudante pensa em seguir a carreira em Relações Internacionais e tornar-se, então, um diplomata atuante fora de simulações. Por ora, vai continuar no GRI. “Gosto muito do grupo. Já somos uma família”, conclui.