O Ministério da Educação (MEC) quer preencher as vagas desocupadas nas universidades públicas. No ano passado, eram 150 mil vagas ociosas nas redes federal e estadual de ensino superior. Nesta sexta-feira, foram divulgados os dados do Censo da Educação Superior de 2014. A pasta quer, já no ano que vem, selecionar estudantes de faculdades particulares ou mesmo de outras instituições públicas que queiram ocupá-las.
Essas vagas são de estudantes que iniciaram o curso, mas, por algum motivo, desistiram. Atualmente, elas são preenchidas internamente em cada universidade. O MEC quer criar um Sistema de Seleção Unificada (Sisu) das vagas remanescentes. Assim, estudantes de todo o país, terão acesso às vagas disponíveis e poderão se candidatar a cursos em períodos equivalentes ao que estão cursando.
Poderão participar também estudantes de instituições particulares que tenham bolsa do Programa Universidade para Todos (ProUni) ou do Fundo de Financiamento Estudantil (Fies). Nestes casos, os estudantes poderão trocar o benefício por cursos em universidades públicas.
"É uma vaga mais complexa para matricular porque o aluno já tem um histórico acadêmico que está cursando e o novo curso vai ter que analisar o currículo dele, as matérias que ele fez, a compatibilidade e vai fazer uma proposta de quais disciplinas vai ter que fazer para concluir o curso", avaliou o ministro da Educação, Aloizio Mercadante. "Como as universidades federais têm, em geral, os melhores cursos do Brasil, acho que vai ter uma ampla adesão e nós vamos trabalhar para não deixar nenhuma cadeira vazia na sala de aula."
Critério
O critério para preencher as vagas será o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem). Além disso, será considerado o desempenho do aluno na instituição na qual estuda, a nota do curso que está matriculado nas avaliações do MEC e a região de origem do estudante. Se as vagas não forem preenchidas, a pasta discute também ofertá-las a pessoas já formadas e que buscam uma segunda graduação. A adesão das universidades será voluntária.
A negociação está sendo feita inicialmente com as federais, mas, segundo o ministro, estaduais e municipais também poderão participar. As federais concentram 100 mil vagas ociosas, segundo os dados do ano passado. "São 100 mil estudantes que poderiam estar cursando uma graduação, mas desistiram", diz o ministro. "Vou ter que pagar professor, luz, laboratórios, biblioteca independente do número de alunos. Se eu trabalhar com matrículas plenas, vou estar gastando o mesmo que gastava, mas formando mais gente, aumentando a produtividade e a eficiência em sala de aula". O processo de seleção deverá ser aberto após o processo de seleção para o Sisu regular e para o ProUni.
MEC busca forma de preencher vagas desocupadas em universidades públicas
Cerca de 150 mil lugares ficaram ociosos de acordo com censo de 2014