Ensino

O ensino em defesa do meio ambiente na COP30

Projetos escolares, variadas propostas pedagógicas e debates mobilizam educadores, gestores e estudantes na Conferência do Clima em Belém

Na COP30, roda de conversa com crianças e jovens abordou a importância da Educação Ambiental
Na COP30, roda de conversa com crianças e jovens abordou a importância da Educação Ambiental Foto : João Stangherlin / MEC / CP

Promover uma cidadania ambiental é uma necessidade que a Educação precisa enfatizar como proposta pedagógica, além de se aliar a outros setores da sociedade para transformar ideias em ações práticas. Construir uma Educação de qualidade é buscar o desenvolvimento humano e científico em todas as suas dimensões. E entender a importância da Educação Ambiental é uma das rotas a trilhar com real empenho no mundo, porque somos seres interligados neste Planeta. Por isso, a Educação marca presença e se faz representativa na COP30 (Conferência das Nações Unidas sobre Mudança do Clima), num contexto de defesa do meio ambiente.

No âmbito legal, temos a Política Nacional de Educação Ambiental, instituída em 1999 e depois atualizada e melhor definida. Assim, é obrigatória, de forma transversal nos currículos escolares; e indica temas específicos, como a gestão de riscos socioambientais (box). Na COP 30, que acontece de 10 a 21/11, em Belém (Pará), não apenas políticas públicas como projetos desenvolvidos por instituições e secretarias de Educação estão sendo expostos e debatidos em diversos fóruns. E estudantes se integram aos trabalhos.

Com a EduCOP, o Ministério da Educação (MEC) preparou a participação na COP30, focando em projetos de escolas sobre o tema. Foi evento do MEC voltado à Educação climática e à sustentabilidade. E os trabalhos apresentados por alunos e professores são inspirados nos biomas brasileiros, destacando práticas pedagógicas que unem conhecimento científico, cultura local e compromisso com o meio.

Já entre as atividades educacionais efetivas realizadas na COP30, o MEC realizou, no último dia 13/11, uma roda de conversa com crianças e adolescentes, para tratar a importância da Educação Ambiental. O objetivo foi possibilitar um espaço de diálogo para ouvir suas necessidades e opiniões sobre a construção de uma Educação de qualidade por meio da promoção da cidadania ambiental.

O colóquio mobilizou representantes de cursinhos populares, delegados da Conferência Infantojuvenil pelo Meio Ambiente e do Parlamento Juvenil do Mercosul, além de embaixadores do meio ambiente e alunos da rede municipal de Educação de Belém. A interação abordou a relevância do espaço escolar na construção da consciência ambiental e sua contribuição para sustentabilidade das cidades, por meio de iniciativas como a coleta seletiva de lixo para a reciclagem e áreas verdes. Os jovens ressaltaram a relevância da Educação Ambiental nos currículos. E os participantes reivindicaram a proteção dos povos das águas, do campo e das florestas.

A secretária de Educação Continuada, Alfabetização, Diversidade e Inclusão (Secadi/MEC), Zara Figueiredo, considera que a participação de jovens e crianças na construção de uma virada climática e na integração de saberes para soluções sustentáveis é fundamental. “Acreditamos que o que vocês vivenciam na pele e desde a infância é uma realidade sem precedentes. Alguns mais e outros menos, com profundas diferenças agravadas pelo racismo, que aprofunda a injustiça climática. E acreditamos na cidadania desde a infância. Na capacidade única de expressão dos saberes que apenas vocês possuem e que nos ensinam a formular políticas e repensar as redes escolares”, destacou.

Já o ministro da Educação, Camilo Santana, ressalta que “pensar na questão ambiental passa, fundamentalmente, pela Educação. Quando a gente fala em Educação, na relação que tem com a questão ambiental, a gente fala de uma Educação de qualidade, em que todos tenham acesso e permaneçam na escola. Queremos uma Educação com equidade e inclusão. E a questão climática não é mais uma questão do futuro, mas uma questão do presente”.

Cenário Escolar

Dados do Censo Escolar 2024 indicam o efeito dos eventos climáticos nas escolas brasileiras. Entre outros registros, revelam que 6,7% (10.541) das escolas e quase 6,1% (2,51 milhões) das matrículas foram impactadas com a suspensão de atividades escolares em 2024, em decorrência de eventos climáticos extremos. Mas também já mostram como as escolas do Brasil estão se preparando para lidar com a mudança do clima, seja em estrutura física ou formação do corpo docente.

O Banco Mundial aponta que, em 2024, alunos de municípios mais pobres podem perder até meio ano de aprendizado pelo aumento das temperaturas.