Ocupações da Ufrgs vão além do ato de protestar

Ocupações da Ufrgs vão além do ato de protestar

Palestras, reuniões e rodas de conversa fazem parte da rotina das unidades acadêmicas ocupadas

Henrique Massaro Rodrigues

Estudantes afirmam que Universidade é principal local de luta

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Porto Alegre, 16h de segunda-feira. Um carro passa em frente ao prédio da Faculdade de Arquitetura da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (Ufrgs), onde cartazes indicam que o prédio está ocupado. O motorista vê alguns estudantes em frente, abre a janela e grita: “Vão trabalhar, seus vagabundos”. Ele provavelmente não sabe, contudo, que naquele mesmo dia, naquele mesmo local, já havia sido feito um mutirão de limpeza, uma reunião de estudos e uma palestra, e que a tarde seguiria com mais atividades como estas.

Tais ações, que se repetem em outras das 19 unidades acadêmicas ocupadas, mostram um pouco da rotina das mais recentes manifestações estudantis contrárias a medidas do Governo Federal. Trata-se de um cronograma bastante organizado que os estudantes têm se submetido. Além de simplesmente protestar, por exemplo, contra a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 55, que paralisa os investimentos do Executivo nacional por 20 anos, e contra a Medida Provisória (MP) 746, que reformula o Ensino Médio, as ocupações têm se mostrado um local de diálogo e discussão frequente.



Na Faculdade de Biblioteconomia e Comunicação (Fabico), onde a ocupação completa um mês no próximo dia 30, os manifestantes explicam que o objetivo, apesar das aulas estarem paralisadas, não é fazer com que os alunos parem de estudar por completo. Para isso, servem as atividades de cunho político e até culturais que são organizadas. No local também ocorrem palestras, reuniões, rodas de conversa e saraus.

Diálogos entre estudantes e Universidade

Os estudantes ouvidos pela reportagem afirmaram que há um diálogo externo entre as unidades ocupadas e também com a Universidade. De acordo com uma aluna da Fabico, que não quis se identificar, a direção tem se reunido com representantes do movimento buscando um equilíbrio entre os dois lados. “A gente não tá querendo ser ruim com ninguém, porque o interesse não é prejudicar os professores, é prejudicar o governo”, explicou.

Assim, mesmo ocupados, o acesso aos prédios não têm bloqueado, mas controlado. Estudantes e professores que se identificam e mostram interesse em participar de alguma atividade, por exemplo, geralmente conseguem entrar nos locais. A forma como estas e outras questões são tratadas nas ocupações são decididas em assembleias internas, que costumam ocorrer diariamente.

Representantes da Ufrgs, conforme os estudantes da Arquitetura, chegaram a se reunir com membros da ocupação. No entanto, eles comentam que, apesar do posicionamento da instituição ser importante, esta não é uma exigência dos manifestantes. De acordo com uma aluna do segundo semestre, a pauta é ampla e a Universidade simplesmente é o principal local de luta dos alunos.

Questão de segurança

Durante as entrevistas com os estudantes, nenhum deles permitiu a divulgação de seus nomes e a entrada nos prédio. Conforme afirmaram, trata-se de uma questão de segurança. Eles também não informam quantas pessoas chegam a passar por dia dentro das ocupações. Comentaram que o número varia, que chegam a ir para suas casas, mas que todos os dias os locais estão ocupados e com atividades, inclusive nos finais de semana.

Conforme sua assessoria de comunicação, a Ufrgs segue com a postura de apenas monitorar as unidades ocupadas - 19 de um total de 29. A primeira delas a completar um mês será o Instituto de Letras, no dia 26.

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