Ensino

Paralisação nacional de servidores das instituições federais de ensino exige cumprimento de acordo com o governo

Os protestos têm como objetivo garantir a inclusão de quatro pontos fundamentais que foram retirados do projeto de lei em discussão no Congresso

Assufrgs realizou um seminário para debater os pontos retirados do projeto
Assufrgs realizou um seminário para debater os pontos retirados do projeto Foto : Pedro Piegas

Os técnicos-administrativos das instituições federais de ensino realizam uma paralisação nacional, de dois dias, em busca do cumprimento integral do termo de acordo de greve assinado com o governo federal em junho deste ano. Os protestos têm como objetivo garantir a inclusão de quatro pontos fundamentais que foram retirados do projeto de lei em discussão no Congresso.

Assufrgs – sindicato que reúne os técnico-administrativos da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (UFCSPA) e do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Rio Grande do Sul (IFRS) – realizou na manhã desta terça-feira um seminário para debater os pontos retirados do projeto.

O coordenador do conselho de representantes da Assufrgs, Rafael Berbiger de Bortoli afirmou que a categoria foi surpreendida negativamente com a retirada dos pontos do projeto que incluem o reconhecimento de saberes, regras de transição, reposicionamento de aposentados e a criação do cargo de auxiliar educacional. Ele destacou a importância desses pontos, especialmente o reposicionamento, que corrige injustiças históricas com aposentados.

“O reposicionamentos aposentados é uma reivindicação histórica que já estava no termo de acordo da greve de 2015. A questão do reconhecimento de saberes competência já é aplicada para os docentes da EBTT (Ensino Básico, Técnico e Tecnológico). É uma conquista muito grande da categoria, e a gente não admite que não esteja dentro do PL”, disse.

De acordo com Bortoli, o governo justificou a retirada desses pontos alegando a necessidade de previsão orçamentária, mencionando que algumas medidas só poderão ser implementadas em 2026. Contudo, a assessoria jurídica nacional da categoria contesta essa posição, afirmando que é possível incluir essas reivindicações no projeto de lei atual, com a devida previsão para o impacto na lei orçamentária do próximo ano.

Em relação aos reposicionamentos de aposentados, o governo alega não ter os dados necessários para justificar sua inclusão, mas os representantes da categoria ressaltam que essas informações são de responsabilidade do próprio governo.

O coordenador geral da Assufrgs, Gabriel Focking explicou que a mobilização inclui além do seminário uma assembleia geral – prevista para a manhã desta quarta-feira – como forma de pressionar o governo a cumprir o acordo. A minuta do projeto deve ser encaminhada ao Congresso até o final de outubro. A expectativa é que a pressão leve à reintegração dos pontos retirados e ao cumprimento do acordo firmado.