Ensino

Pesquisa internacional tem foco na Economia Azul

Rede Blue-Link, aprovada no edital do programa Capes-Global, aprofunda estudos de ecossistemas estuarinos, costeiros e oceânicos no país

Praia do Cassino, com extensão de mais de 220 km, é considerada o balneário marítimo mais antigo do país, com 136 anos
Praia do Cassino, com extensão de mais de 220 km, é considerada o balneário marítimo mais antigo do país, com 136 anos Foto : Fernando Halal / FURG / CP

Conectar os laboratórios universitários aos diversos ambientes aquáticos, promovendo ações propositivas de apoio à biodiversidade, regulação climática e sustento humano, é foco da Blue-Link, rede de pesquisa coordenada pela Universidade Federal do Rio Grande (Furg). O trabalho enfatiza a sustentabilidade de ecossistemas estuarinos, costeiros e oceânicos. Como foi selecionado em março pelo edital do programa Capes-Global, terá recursos para ser desenvolvido. Conforme a pró-reitora de Pesquisa e Pós-Graduação, Daiane Dias, trata-se de “projeto com a vocação da nossa Universidade”.

A Rede, que contempla 17 dos 33 Programas de Pós-Graduação (PPGs) da Furg, obteve 8° lugar no processo classificatório da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes). E ainda conta com outros quatro projetos coordenados por universidades gaúchas, dentre os 33 presentes na lista (15% do total de propostas).

A iniciativa busca, segundo edital, estabelecer colaboração interinstitucional, mobilizando diferentes regiões do país, e também promover, através da interação junto a instituições estrangeiras, o desenvolvimento das pesquisas e pós-graduação dos participantes em âmbito internacional.

Além dos 17 PPGs contemplados pelo estudo da Rede Blue Link, a Furg tem outros 16, presentes na “Rede Sinapse”, totalizando os 33 Programas de Pós da instituição agraciados. Fabiana Schneck, diretora de Pós-Graduação da Pró-Reitoria de Pesquisa e Pós-Graduação da Furg, explica este feito: “Uma vez que o programa Capes-PrInt foi de sucesso para a instituição, tivemos foco total no edital do Capes-Global, e a formação discente qualificada é nossa principal motivação.”

Eixos do Projeto

  • Saúde Humana: No contexto de “Uma Só Saúde”, termo que é traduzido do inglês (one health). Propõe uma abordagem integrada, que envolve saúde humana, animal, vegetal e ambiental.
  • Biodiversidade e Biotecnologia: Voltadas à Economia Azul – conceito que defende a utilização sustentável dos recursos extraídos da natureza marítima.
  • Segurança e qualidade alimentar.
  • Mudanças climáticas: Ligadas a eventos extremos e respectivos impactos socioambientais.

Os eixos do trabalho estão alinhados à Década da Ciência dos Oceanos (2020-2030), proclamada pelas Nações Unidas (ONU), e aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) 3, 14 e 15. “Nesse sentido, buscamos universidades e institutos cujo contexto socioambiental regional permitisse essa aproximação, em interlocução com o tema da pesquisa”, diz Fabiana.

| Foto: Correio do Povo

Geografia

Apesar de reconhecer a importância da cooperação entre instituições de diferentes regiões do Brasil, abrindo um leque de possibilidades científicas dentro da diversidade de ecossistemas nacionais, Daiane enxerga, na distância geográfica, um desafio. De acordo com a pró-reitora, os recursos previstos pelo edital da Capes são destinados a viagens internacionais, dificultando o deslocamento interestadual dos discentes e pesquisadores.

Na Rede Blue-Link, mais de 3,5 mil km separam a Furg, no extremo Sul, da Unifap, no extremo Norte (mapa). “É interessante que alunos e discentes façam esse deslocamento para conhecer as diferentes abordagens do projeto. Essa interação presencial é indispensável”, argumenta. É para solucionar esta questão, segundo Daiane, que atuam as Fundações Estaduais de Amparo à Pesquisa (FAPs).

No RS, a Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Rio Grande do Sul (Fapergs) reconhece esse papel de auxílio. “A presença de universidades gaúchas na coordenação de redes do programa Capes Global é extremamente relevante, demonstra a capacidade do RS de liderar agendas em nível nacional e internacional”, afirma Odir Dellagostin, diretor-presidente da Fapergs. Ele completa que “a Fapergs atua de forma complementar a esse esforço, apoiando as instituições gaúchas para garantir que essas redes funcionem na prática e gerem resultados”.

Aporte financeiro

No total, o montante que o edital da Capes fornecerá à Rede Blue-Link, anualmente, é de R$ 9.450.000, sendo R$ 4 milhões direcionados à Furg. E as redes terão vigência de cinco anos, com repasse dos recursos concentrados nos quatro primeiros anos de execução.

A Fapergs, por sua vez, fará um aporte anual de R$ 50 mil para instituições coordenadoras (é o caso da Furg, na Rede Blue Link) e de R$ 25 mil para instituições associadas, ao longo de cinco anos. O investimento estimado é de cerca de R$ 2 milhões no período. “Embora sejam valores relativamente modestos, eles têm um papel catalítico importante, viabilizando mobilidade, encontros científicos e integração entre os grupos de pesquisa”, explica Odir.

Além de coordenar o projeto da Blue-Link, a Furg ainda participa da Rede Sinapse, que está relacionada à internacionalização sustentável da pós-graduação, e que renderá mais R$ 3 milhões anuais aos estudos de pós-graduação da universidade, totalizando R$ 7 milhões por ano. A Rede Sinapse é coordenada pela Universidade Federal de São Carlos (UFSCAR/SP).

*Sob supervisão de Maria José Vasconcelos.