O ano letivo 2026, aberto neste mês com encontros de formação profissional, reuniões pedagógicas e planejamentos escolares, terá a volta às aulas com os alunos depois do Carnaval.
A maioria das escolas públicas e privadas do RS receberá, no dia 18/2, os mais de 400 mil estudantes da Educação Básica das particulares; de 700 mil da rede pública estadual e de 25 mil da municipal de Porto Alegre. Com preocupação em organizar as atividades curriculares e demandas de crianças e jovens, o planejamento das equipes diretivas e dos professores tem especial mobilização nesses dias.
Uma pesquisa inédita realizada pelo Ministério da Educação (MEC), em parceria com o Itaú Social, o Consed (Conselho Nacional de Secretários de Educação) e a Undime (União dos Dirigentes Municipais de Educação (Undime), ouviu mais de 2,3 milhões de estudantes em todas as regiões do Brasil, com foco na elaboração de política pública voltada especialmente aos Anos Finais do Ensino Fundamental.
No RS, o estudo mobilizou em torno de 98 mil jovens da rede pública, revelando que o apoio emocional aos estudantes e as propostas extracurriculares são as principais ações esperadas das escolas, principalmente no contexto pós-enchentes.
O levantamento com gaúchos do 6° ao 9° ano do Ensino Fundamental aponta que fortalecer a confiança dos alunos (citado por 56% dos respondentes de 6° e 7°; e 50%, de 8° e 9°); acolher emocionalmente; garantir o aprendizado previsto (49%, em ambos os grupos); ou atuar como espaço de apoio comunitário, como receber e oferecer doações (55%, no 6° e 7°, e 57%, 8° e 9°) também são prioridades. Daí a necessidade de escolas mais acolhedoras e preparadas para crises, principalmente após as emergências climáticas de 2024 no RS. E os indicadores evidenciam a percepção dos jovens de que a escola tem um papel central no enfrentamento de crises.
“As vozes dos adolescentes gaúchos são um chamado para construirmos escolas que respondam às suas necessidades e aspirações. Esses dados nos mostram que, ao ouvirmos, podemos criar políticas educacionais mais conectadas a esta fase do desenvolvimento humano e à realidade local”, considera a superintendente do Itaú Social, Patricia Mota Guedes.
Conteúdos e Ações
Dentre os conteúdos e conhecimentos considerados importantes ao seu desenvolvimento, os alunos de 6° e 7° ano citam esportes e bem-estar como prioridade (45%), seguidos por disciplinas tradicionais, como Língua Portuguesa, Matemática, Ciências Humanas e Ciências da Natureza (41%). Já Educação Financeira, Artes e Cultura empatam (27%). E as propostas mais desejadas são práticas esportivas (44%) e ações com tecnologia e mídias digitais (41%).
No grupo de 8° e 9°, Educação Financeira desponta (38%) como tema considerado essencial para o desenvolvimento e seguem-se esportes e bem-estar (37%), disciplinas tradicionais (34%) e autoconhecimento, autocuidado e saúde mental (31%). Quanto às atividades essenciais projetadas, lideram práticas esportivas (42%), aulas práticas (42%) e tecnologia e mídias digitais (37%). E ações de preparação profissional surgem em 26% entre o grupo mais velho.
Em relação às formas de aprender que ajudariam no desenvolvimento, 44% dos alunos de 6° e 7° priorizam visitas, passeios e trabalhos fora da escola. E são 48% entre 8° e 9°. Trabalhos em grupo figuram em 41% dos mais novos e 35% dos mais velhos. E aulas de reforço escolar ficam estáveis, atingindo 22%, em ambos os grupos.
Junto aos mais novos, 86% afirmam que têm amigos que gostam de estar na escola; 77% dizem ter ao menos um adulto em quem confiam; para 66% existe um ambiente seguro; e 66% acham que todos podem participar das decisões do dia a dia da escola. No grupo dos mais velhos, 85% concordam em possuir amigos que gostam de estar; a confiança em pelo menos um adulto diminui para 72%; a percepção de ambiente seguro é de 61%; e 55% avaliam que todos podem participar das decisões da escola. O sentimento de aumentar conhecimentos sobre as disciplinas é de 64% entre os alunos mais novos e de 66%, junto aos mais velhos.
Convivência Escolar
Ao considerar melhorias na convivência, a preferência por jogos, competições e olimpíadas é apontada por 51% dos estudantes de 6° e 7° ano e por 52% dos que estão no 8° e 9° ano. Abordagens sobre bullying, racismo e prevenção de violências aparecem em 33% dos alunos mais novos, sendo seguidas por necessidade de melhorias nos espaços para convivência (29%) e garantia de segurança na escola e no entorno (28%). E os escolares de 8° e 9° ano destacam melhorar os espaços da escola (32%), atividades que ajudam a lidar com as emoções (28%) e ter uma pessoa conselheira (27%).
Calendário Letivo 2026
Programação escolar prevista para 2026:
Rede Estadual/RS
- Início: 18 de fevereiro.
- Final: 18 de dezembro.
- Recesso: 27 de julho até 2 de agosto.
Rede Municipal/POA
- Início: 18 de fevereiro.
- Final: 18 de dezembro.
- Recesso: 27 de julho até 2 de agosto.
Rede Privada/RS (sugestão do Sinepe/RS)
- Início: 18 de fevereiro.
- Final: 11 de dezembro.
- Recesso: 27 de julho até 2 de agosto.
Universidades/RS
- Em geral, Ensino Superior público e particular no RS organizam recepção acadêmica, com volta às aulas a partir de março.