Ensino

Polêmica sobre nome de escola causa transferência de professor

Alunos alegam perseguição política, mas Coordenadoria da Educação rebate argumento do grupo

Um colégio estadual de Porto Alegre está vivendo uma polêmica relacionada ao nome da instituição e o afastamento de um professor. A Escola Estadual Costa e Silva, cujo nome faz homenagem ao segundo presidente da ditadura militar, é alvo de contestação de estudantes e professores. Assim, o grupo rebatizou informalmente a instituição de Edson Luís, em alusão ao estudante morto pela ditadura em 1968.

O professor de História e Filosofia, José Luís Morais, faz parte do grupo e utilizava o nome não oficial nas atividades. Poucos dias antes do início do ano letivo ele foi transferido para outra escola, o que vem sendo alvo de protesto de parte dos estudantes secundaristas. Eles alegam perseguição política.

A decisão foi da direção do colégio e da 1ª Coordenadoria Regional de Educação. A CRE contesta a justificativa dos alunos. Conforme a coordenadora Maria Luíza Moraes, alguns professores não estão aderindo às decisões da direção e estão defendendo a transferência de uma docente que não aderiu à última greve da categoria.

“Ele (o professor) tem uma convocação para ser transferido para outra escola porque outra instituição necessita dele. Porém, o docente não quer cumprir a convocação. A direção da escola liberou ele por conta de uma série de problemas, que precisam ser minimizados para que o colégio tenha harmonia para iniciar as aulas”, sustenta.

A Secretaria Estadual da Educação não se manifestou, mas informou que a direção e as Coordenadorias de Educação têm autonomia para realizar transferências de professores.

Em sua página do Facebook, a ex-presidente do Cpers Sindicato Rejane Oliveira repudiou o afastamento. “A perseguição a professores que lutam pela qualidade na educação vem tornando-se rotina, principalmente nesse contexto de avanço de setores conservadores na sociedade brasileira e, também, gaúcha.A educação, a liberdade de ensinar e o direito constitucional à greve devem ser defendidos por todos envolvidos com o processo de ensino-aprendizagem”, diz trecho da nota.