Ensino

Porto Alegre tem cinco escolas ocupadas por estudantes

Jovens cobram melhorias de infraestrutura e reclamam da falta de professores

Porto Alegre tem cinco escolas ocupadas por estudantes
Porto Alegre tem cinco escolas ocupadas por estudantes Foto : Alina Souza
Subiu para cinco o número de escolas ocupadas em Porto Alegre. Enquanto algumas mantêm a mobilização há alguns dias, outras realizaram o protesto durante 24 horas, como é o exemplo dos Colégios Estaduais Júlio de Castilhos, no bairro Santana, e Padre Reus, na Tristeza. As duas iniciaram suas ocupações às 19h de quinta-feira, com encerramento previsto para as 19h desta sexta. Já nas escolas Emílio Massot, na Cidade Baixa, e Agrônomo Pedro Pereira, na Agronomia, as ocupações foram iniciadas na quarta-feira.

As demandas dos estudantes são diferentes, variando de acordo com a instituição de ensino. Na Emílio Massot, no Júlio de Castilhos e no Padre Reus, os alunos apontam a necessidade de reformas e a contratação de professores. A primeira ainda reivindica o pagamento de verbas atrasadas, enquanto as outras duas focam nas condições estruturais das escolas.



Segundo a presidente do Grêmio Estudantil do Júlio de Castilhos, a escola tem problemas que colocam os alunos em risco. “Há infiltrações no terceiro andar. o ginásio está interditado e já ocorreu até a queda de uma árvore na semana passada, no pátio, que podia ter machucado alguém”, argumentou. A situação no Padre Reus é semelhante. “Sete salas estão com condições inadequadas, com o teto desabando e buracos no chão. São sete turmas a menos. No ginásio, quando chove não há condições de aula”, contou uma aluna.
 
Em ambas instituições cerca de 50 estudantes passaram a noite, em cada. Na manhã desta sexta-feira as duas escolas acabaram não tendo aula, já que os alunos deram preferência aos debates e votações sobre a atual situação da educação estadual e as medidas que seriam tomadas para chamar a atenção da Secretaria de Educação do Estado (SEC). Nas escolas Emilío Massot e Agrônomo Pedro Pereira, onde as ocupações já duram três dias, os estudantes estão permitindo que as aulas aconteçam.

A secretaria informa que realizou o depósito R$ 5,6 milhões na conta de escolas estaduais. O valor é parte da autonomia financeira do mês de março e os repasses foram realizados logo após a quitação da folha do funcionalismo. “Também estamos negociando o pagamento das verbas de abril e a contratação de professores. Somos a única secretaria em que foi permitida a contratação de novos servidores”, ressaltou o secretário interino da SEC, Luis Antônio Alcoba de Freitas, que visitou todas as escolas ocupadas durante o dia.

Entre os tópicos debatidos com os estudantes está a atual situação financeira da secretaria. “Estou explicando para todos os estudantes que a condição financeira da secretaria está complicada”, disse. Mesmo assim, Freitas relatou que a contratação dos professores para essas escolas estão encaminhadas. Além disso, a partir do pagamento integral do funcionalismo, o secretário acredita que as demandas podem ser sanadas em breve para que a rotina das instituições sejam normalizadas.

Outra manifestação ocorreu na Escola Técnica Senador Ernesto Dornelles, no Centro Histórico, contra a falta de repasses da verba de manutenção da escola e do parcelamento dos salários de professores e funcionários.

Confira as escolas ocupadas:

• Escola de Ensino Médio Agrônomo Pedro Pereira - bairro Agronomia
• Escola de Ensino Médio Padre Reus - bairro Tristeza
• Escola Coronel Afonso Emílio Massot - bairro Azenha
• Colégio Júlio de Castilhos - bairro Santana
• Escola Técnica Senador Ernesto Dornelles