Ensino

Professores desocupam Caff, mas mantêm greve

Reunião com secretário da Educação pode definir destino de paralisação que já dura 33 dias

Professores desocupam Caff, mas mantêm greve
Professores desocupam Caff, mas mantêm greve Foto : Guilherme Testa
O grupo de professores do Cpers/Sindicato desocupou às 9h30min desta sexta-feira um dos prédios do Centro Administrativo Fernando Ferrari (Caff). A saída foi anunciada em entrevista coletiva concedida pelas lideranças do movimento, que garantiram que mesmo com a desocupação a greve continua. A retirada obedeceu a nova decisão judicial da juíza de Direito Andréia Terre do Amaral, emitida ainda nessa quinta-feira.     

Antes de deixar o prédio, ocupado desde essa segunda-feira, a presidente do Cpers, Helenir Schurer, e colegas deixaram claro a insatisfação com a falta de propostas por parte do governo de José Ivo Sartori. No entendimento dos docentes, o movimento conseguiu mostrar que a gestão tem como buscar dinheiro para o pagamento do piso e para melhoria das escolas públicas. O papel desempenhado pelos estudantes nas ocupações foi exaltado durante a conferência.

Durante a coletiva, os professores condenaram a criminalização dos movimentos realizados por melhorias na educação. O episódio em que estudantes foram detidos após a ocupação da Secretaria da Fazenda foi citado pelos docentes como um exemplo de que o atual governo não dá o devido interesse ao tema. "Nós não vamos aceitar que qualquer movimento reivindicatório seja criminalizado como foi. Não podemos comparar a nossa mobilização e dos estudantes com lutas criminosas", disse Helenir. 

Após conversar com os jornalistas, os professores deixaram o Caff em caminhada, cantando e agitando as bandeiras do Cpers. Às 11h, há previsão de reunião entre professores e o o secretário da Educação do Estado. A desocupação não altera os rumos da greve, que já completa 33 dias. De acordo com o Cpers, a saída do Caff ocorreu por acreditar em uma nova negociação com o governo. A tarefa, conforme as lideranças, será exigir do governo um avanço na questão salarial ou alguma sinalização positiva. 

Entenda o impasse

Segundo a presidente do Cpers, Helenir Schürer, os docentes já informaram que abrem mão do reajuste salarial imediato, mas não vão desistir de três pautas sem impacto financeiro aos cofres públicos: a manutenção do auxílio a professores que dão aula em escolas de difícil acesso, a retomada da remuneração por atividade extraclasse e a retirada definitiva da Assembleia Legislativa do PL44/2016 – criticado em função da possibilidade de ampliar a interferência de empresas privadas e serviços terceirizados na educação pública. Até agora, o governo só admite postergar o debate da matéria para 2017.