O grupo de professores do Cpers/Sindicato desocupou às 9h30min desta sexta-feira um dos prédios do Centro Administrativo Fernando Ferrari (Caff). A saída foi anunciada em entrevista coletiva concedida pelas lideranças do movimento, que garantiram que mesmo com a desocupação a greve continua. A retirada obedeceu a nova decisão judicial da juíza de Direito Andréia Terre do Amaral, emitida ainda nessa quinta-feira.
Antes de deixar o prédio, ocupado desde essa segunda-feira, a presidente do Cpers, Helenir Schurer, e colegas deixaram claro a insatisfação com a falta de propostas por parte do governo de José Ivo Sartori. No entendimento dos docentes, o movimento conseguiu mostrar que a gestão tem como buscar dinheiro para o pagamento do piso e para melhoria das escolas públicas. O papel desempenhado pelos estudantes nas ocupações foi exaltado durante a conferência.
Durante a coletiva, os professores condenaram a criminalização dos movimentos realizados por melhorias na educação. O episódio em que estudantes foram detidos após a ocupação da Secretaria da Fazenda foi citado pelos docentes como um exemplo de que o atual governo não dá o devido interesse ao tema. "Nós não vamos aceitar que qualquer movimento reivindicatório seja criminalizado como foi. Não podemos comparar a nossa mobilização e dos estudantes com lutas criminosas", disse Helenir.
Após conversar com os jornalistas, os professores deixaram o Caff em caminhada, cantando e agitando as bandeiras do Cpers. Às 11h, há previsão de reunião entre professores e o o secretário da Educação do Estado. A desocupação não altera os rumos da greve, que já completa 33 dias. De acordo com o Cpers, a saída do Caff ocorreu por acreditar em uma nova negociação com o governo. A tarefa, conforme as lideranças, será exigir do governo um avanço na questão salarial ou alguma sinalização positiva.
Entenda o impasse
Segundo a presidente do Cpers, Helenir Schürer, os docentes já informaram que abrem mão do reajuste salarial imediato, mas não vão desistir de três pautas sem impacto financeiro aos cofres públicos: a manutenção do auxílio a professores que dão aula em escolas de difícil acesso, a retomada da remuneração por atividade extraclasse e a retirada definitiva da Assembleia Legislativa do PL44/2016 – criticado em função da possibilidade de ampliar a interferência de empresas privadas e serviços terceirizados na educação pública. Até agora, o governo só admite postergar o debate da matéria para 2017.
Professores desocupam Caff, mas mantêm greve
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