Ensino

Professores gaúchos vão protestar na segunda-feira

Ano letivo vai começar em 1º de março

O ano letivo das escolas públicas estaduais no Rio Grande do Sul iniciará na terça-feira, 1º de março. Na véspera, dia 29 de fevereiro, os educadores gaúchos aderem ao Dia da Paralisação Nacional da Educação, chamado pela Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação (CNTE).

Segundo o diretor do Cpers/Sindicato e coordenador do Departamento de Comunicação, Ênio Mânica, na segunda-feira toda a comunidade escolar nacional está sendo conclamada para participar do Protesto em Defesa da Educação Pública. Em Porto Alegre acontecerá à tarde, com concentração a partir das 13h30min no Largo Glênio Peres. Após, haverá uma caminhada até o Palácio Piratini onde será ministrada a “Aula Cidadã”, para professores, pais e alunos.

“Tentaremos, quem sabe, trazer também o governador José Ivo Sartori para assistir a aula, há muito para ele aprender. Caso não queira participar, solicitaremos uma audiência”, disse Mânica, ressaltando que o governo federal de Dilma Roussef está retirando verbas da Educação e que o projeto do senador José Serra (PSDB) – que revoga a participação obrigatória da Petrobras no modelo de exploração de partilha da produção de petróleo na camada pré-sal – , se aprovado, indiretamente também irá retirar verbas significativas da educação.

Para a mobilização do dia 29, adianta o diretor, virão representantes dos sindicatos de professores e alunos dos Estados de São Paulo e Goiás, que têm realizado movimentos fortes e exemplares em defesa da educação pública. Os professores estaduais também irão aderir à Greve Nacional dos dias 15,16 e 17 de março, também deliberada pela CNTE. “Iremos parar por três dias e no dia 18 nos reuniremos em Assembleia Geral no Gigantinho, às 13h30min, quando todos os associados do CPERS/Sindicato irão decidir se a greve irá ou não continuar no Rio Grande do Sul, onde os problemas são muitos e se agravam neste início de ano letivo por causa da gestão Sartori”, afirmou Mânica.

Entre os principais motivos para uma Greve Geral, enumera o professor, está a necessidade urgente de um reajuste salarial para a categoria, que hoje ganha apenas 30,53% do Piso Nacional do Magistério. “O nosso básico é de R$ 1.260 para 40 horas, ou seja, temos uma defasagem de 69,47% (o nacional é de R$ 2.135). Os outros são a 'enturmação', reunindo mais de 40 alunos por turno, e o encerramento de turnos. Quando a SEC determina o fim dos turnos noturnos no Ensino Médio e do EJA em algumas escolas prejudica os alunos que trabalham de dia. Isso é gravíssimo, assim como alterar o currículo, diminuindo horas aulas de disciplinas importantes. Isso não pode acontecer porque mudanças curriculares devem ser aprovadas pelo Conselho Estadual de Educação. São muitas arbitrariedades do governo Sartori, que inclusive está fechando escolas. Já temos o conhecimento de cinco fechadas. São medidas graves contra a educação. Não podemos aceitá-las”, conclui Mânica, ressaltando que há uma demanda muito expressiva por professores.

Segundo o sindicato, 4 mil se aposentaram no ano passado e 2 mil pediram desligamento. Mesmo com o aceno de que serão nomeados 500 nos próximos meses, conforme promessa do secretário de Educação, Vieira da Cunha, a defasagem continua grande.