Ensino

Salão de beleza e ‘loja’ de roupas: voluntários de abrigo da capital se mobilizam pelo bem-estar dos alojados

Foto : Denison Fagundes / Uniritter / CP

Para levar alegria e leveza aos cerca de 150 acolhidos pela Uniritter, uma equipe de professores, estudantes e voluntários promovem atividades lúdicas e de humanização às vítimas que estão abrigadas no Campus Fapa, em Porto Alegre. Assim, sessões de cinema com pipoca, corte de cabelo, esmaltação de unhas, oficinas de desenho e brincadeiras para crianças são algumas das ações que têm animado um pouco essa diferente rotina de quem está fora de casa há mais de uma semana, desde o começo das enchentes pelo estado.

O coordenador do abrigo, Lisandro Martins da Silva. explica que foi preciso uma rápida adaptação para organizar várias frentes de atuação, diante do desafio de estruturar um abrigo e receber pessoas em menos de 24 horas. "Nossa intenção é ter um olhar humano, levando afeto e um pouco de alívio e dignidade para as famílias. Neste cenário, ver a solidariedade e o engajamento dos nossos voluntários também é uma grande motivação. Por isso, é gratificante ver que conseguimos levar esperança nesse momento tão delicado", considera. Já a coordenadora do setor de doações de roupas, Karina Fernandes, explica que vestimentas, calçados e brinquedos doados são organizados em “lojas”, separadas por tamanho e tipo, para que as pessoas escolham os itens que precisam. São gestos que parecem simples, mas que fazem diferença para quem saiu de casa com a roupa do corpo e não tem mais nada. “Queremos que as pessoas tenham o poder de escolha na seleção de suas roupas, conforme suas necessidades. Com isso, fazemos um conceito de loja mesmo, e isso traz a autonomia delas nessa decisão. Diariamente ouvimos feedbacks positivos e temos a certeza de que estamos fazendo a diferença”, afirma.

Com apoio de voluntários e profissionais da beleza, um salão foi montado, para contribuir em maior autoestima dos abrigados. Corte, hidratação e escova integraram os trabalhos oferecidos. “É um cuidado, um carinho que faz as pessoas se sentirem melhor. É uma forma de fazer algo pelo próximo neste momento”, diz Wesley Marinho Silva, cabeleireiro e morador da Cidade Baixa, que também precisou deixar seu lar em função das enchentes e está no abrigo da Uniritter. Já na área de alimentação, voluntários, dentre eles chefs de cozinha, comunidade e estudantes do curso de Gastronomia da Uniritter, se dedicam no preparo das quatro refeições diárias. O cardápio é acompanhado por professores e estudantes de Nutrição, para garantir uma dieta equilibrada e atenta à segurança alimentar de crianças, adultos e idosos. O chef de cozinha voluntário José Trapp informa que são cerca de 1,5 mil marmitas para os abrigados e para destinar a espaços parceiros e na linha de frente dos resgates.

Na área da saúde, os voluntários dos cursos de Fisioterapia, Psicologia, Enfermagem, Serviço Social, Farmácia e Odontologia prestam atendimento aos acolhidos, sendo que o setor de medicamentos foi batizado de Farmácia Solidária. No local, os medicamentos são organizados conforme a necessidade de cada família indicada pelos voluntários das áreas. Para os pets, a equipe da Medicina Veterinária dá assistência aos mais de 30 cães, 20 gatos e três animais silvestres. “Além dos cuidados de saúde, também fazemos passeios diários para que os animais fiquem tranquilos. Os tutores também têm momentos de interação, e os pets da mesma família podem brincar juntos”, explica Marília Valandro, professora de Medicina Veterinária da Uniritter.

E com o frio, estudantes do curso de Design de Moda iniciaram, nesta semana, a produção de roupas para aquecer e cobertores. A meta é confeccionar 13 mil peças, inclusive em tamanho plus size, com tecidos coletados através de doações de empresas do ramo têxtil. A produção será destinada a gaúchos alojados em abrigos no RS. As costuras estão sendo realizadas por 45 voluntários, nos laboratórios dos campi Fapa e Zona Sul, na Capital, e em mais três outros ateliês parceiros.