A campanha pública “Liberdade de ensinar e aprender” será lançada hoje, às 19h, pelo Sindicato dos Professores do Ensino Privado do RS (Sinpro/RS). O lançamento será no Espaço de Eventos do Sinpro/RS, em Porto Alegre (João Pessoa, 919), com a participação de representantes de instituições e entidades ligadas à educação e convidados. O objetivo da campanha é atentar para o periogo de ações de cerceamento ao trabalho dos professores, de censura a livros e conteúdos e de manifestações preconceituosas relativas à raça e a gênero.
Cecília Farias, diretora do Sinpro, explica que os pedidos de ajuda de professores vêm aumentado. Os profissionais relatam constrangimentos, ameaças e perseguições protagonizadas por pais de alunos. E, em alguns casos, dizem que são demitidos, pela pressão que se estabelece. Por isso, a campanha também informará sobre os direitos legais e a defesa dos professores nas esferas criminal, cível e trabalhista.
Nesta semana (em 6/8), o assunto foi levado à Comissão de Educação da Assembleia Legislativa, na Capital. Na reunião, presidida pela deputada Sofia Cavedon, a coordenadora da Seccional do RS da Rede Brasileira de Educação em Direitos Humanos, Cristiaine Johann, apresentou dados da Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico (OCDE). O estudo coloca o Brasil entre os países com os mais altos índices no ranking de agressões contra professores entre 48 países ou regiões.
Ainda segundo o levantamento, 28% dos diretores escolares brasileiros testemunharam situações de intimidação ou bullying, o dobro da média dos países da OCDE. O estudo indica muitos episódios de intimidação ou abuso verbal contra educadores; e uma normalização da agressividade, com 12,5% dos profissionais relatando passar por esse tipo de violência pelo menos uma vez por semana.
Para Sofia, o quadro de ataque a direitos humanos e violência contra educadores é um processo contra a educação pública. “Um retrocesso total; um recrudescimento contra a democratização”, avalia. Por isso, o projeto Observatório Nacional da Violência Contra Educadores(as) vai mapear a situação dos profissionais e tentativas de censura no campo educacional.