Ensino

‘Trabalho invisível’ afeta o ensino

Pesquisa revela que as mulheres realizam mais tarefas domésticas e cuidados, impactando estudos e vida profissional

O estudo sinaliza que é preciso ser feito um esforço, no sentido de educar meninas e meninos sobre a divisão do trabalho doméstico
O estudo sinaliza que é preciso ser feito um esforço, no sentido de educar meninas e meninos sobre a divisão do trabalho doméstico Foto : Elza Fiúza / Agência Brasil / CP

No Brasil, as mulheres dedicam, em média, 9,6 horas semanais a mais do que os homens em tarefas domésticas e cuidados, segundo a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios de 2022, do IBGE. Anualmente, são mais de mil horas dedicadas ao outro, em atividade relevante e fundamental para a sociedade. Mas esse “trabalho invisível” não é remunerado.

O estudo aponta que, com esse encargo extra verificado, mulheres e meninas são as mais afetadas em seus estudos e na vida profissional. A pesquisadora Valquiria Renk, professora do Programa de Pós-Graduação em Direitos Humanos e Políticas Públicas da PUCPR (Pontifícia Universidade Católica do Paraná), explica que uma mulher para de estudar para se dedicar a questões como cuidar dos irmãos ou realizar atividades domésticas. “Faz isso todos os dias e, quando termina, recomeça no dia seguinte. É um trabalho que não tem fim.”

Pesquisa

O levantamento, também de autoria das professoras Ana Bordini e Sabrina Buziquia, incluiu 18 entrevistas com mulheres de áreas urbanas e rurais do Sul (do Paraná e de Santa Catarina), que são responsáveis pelo cuidado de familiares idosos, doentes ou com deficiência. São mulheres escolarizadas, que se afastaram do ensino ou pararam de trabalhar para se dedicarem ao cuidado ininterrupto. A maioria (58%) cursou o Ensino Fundamental; seguido das que cursaram Ensino Superior (30%); e Ensino Médio (11%). Quando perguntadas por que faziam isso, respondiam “porque é minha obrigação”.

Considerações

  • O estudo sinaliza que é preciso ser feito um esforço, no sentido de educar meninas e meninos sobre a divisão do trabalho doméstico.
  • A questão expõe a necessidade de as atividades “invísiveis”, mas socialmente importantes, serem igualmente divididas e realizadas nas dinâmicas familiares e no lar.
  • A pesquisadora Valquiria Renk considera que é preciso ver a Educação como um processo humanitário e de mudança cultural, de modo que a sociedade − as famílias − se responsabilize. A professora entende ser importante, “para que não recaia apenas sobre as mulheres o cuidar exaustivo”.

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