Embora a UFSM não tenha recebido oficialmente a decisão da Justiça, "o certo é que, em defesa da autonomia universitária, vamos recorrer da decisão judicial", afirmou o reitor. Paulo Burmann, que está em Brasília, onde participa do Fórum Nacional de Reitores, revelou que a decisão do juiz Loraci teve repercussão muito negativa e de surpresa entre todos os reitores. Ele assinalou que havia mais de cinco anos a UFSM já tinha em pauta e vinha discutindo esse processo de mudança de seleção, do vestibular para o Sistema de Seleção Unificada (Sisu).
O procurador jurídico da universidade, Rubem Correa da Rosa, acrescentou que aguarda o recebimento oficial da liminar, mas antecipou que não concorda com a decisão. "Dentro do prazo estabelecido vamos interpor recurso cabível." Assim que receber a notificação, a UFSM terá, no máximo, 20 dias para recorrer da decisão no Tribunal Regional Federal da 4 Região, em Porto Alegre (TRF4). Pelo caráter de urgência da ação, que mobiliza milhares de estudantes, o recurso deverá antecipar-se, apesar de o TRF4 não ter prazo para o julgamento da sentença.
Em meio a brigas judiciais, os estudantes que se preparam para o vestibular tradicional, com conteúdos e forma diferenciada do Sisu, ainda estão sem saber qual será o processo seletivo adotado. Em 2013, no último vestibular próprio da UFSM - o segundo maior no Estado -, foram 44.514 inscritos, entre os quais concorrentes pelo Processo Seletivo Único (PSU) e pelo Processo Seletivo Seriado (PSS).
A decisão de substituir o vestibular próprio e adotar integralmente o Sisu/MEC no próximo processo seletivo foi tomada em 21 de maio deste ano pelo Conselho de Ensino, Pesquisa e Extensão (Cepe) da Universidade.