Ensino

Voluntariado transforma alunos e amplia formação

Há quase 30 anos, projeto estimula solidariedade e desenvolvimento pessoal

Luiza Cordeiro iniciou campanha para doação de brinquedos
Luiza Cordeiro iniciou campanha para doação de brinquedos Foto : Mauro Schaefer

Mais do que ação diante da dificuldade alheia, o voluntariado pode se tornar uma ferramenta de formação e bem-estar dentro das instituições de ensino. Ao estimular o contato com diferentes realidades, iniciativas desse tipo ampliam perspectivas, desenvolvem habilidades sociais e fortalecem a capacidade dos estudantes de se relacionarem com o outro. Para a sociedade, o impacto também é significativo ao mobilizar jovens em ações que atendem comunidades e instituições que necessitam de apoio.

No Colégio Maria Imaculada, em Porto Alegre, esse conceito atravessa gerações. Mais de três mil alunos da escola foram impactados por iniciativas promovidas em quase 30 anos de práticas que se transformam junto daqueles que participam.

Atualmente, o colégio atende a Casa de Nazaré e suas três filiais: Núcleo São Francisco, Casa Madre Verônica e Lar da Criança, alcançando cerca de 750 crianças. O grupo, que hoje conta com 18 alunos, visita quinzenalmente a Casa Madre Verônica e o Núcleo São Francisco, intercalando atividades presenciais com planejamento de ações e campanhas solidárias.

Esse contato com as instituições atendidas deixa marcas positivas. “As crianças nos acolhem de uma forma impressionante”, contou Amanda Matte, aluna do 2º ano do Ensino Médio. Para Maria Clara Pio, do 8º ano, a experiência ajuda na formação de novas perspectivas. E a ex-aluna Luiza Cordeiro entende que o voluntariado ajuda a preparar seus integrantes para a faculdade e o mercado de trabalho. Ela destaca que o grupo ajuda a fomentar a liderança juvenil e a desenvolver as soft skills, habilidades comportamentais que definem como as pessoas interagem com os outros e gerenciam suas emoções no trabalho e na vida.

O professor Adelar Ferreira, coordenador do voluntariado há 12 anos, complementa a visão. “Há uma mudança no modo de pensar, de agir, de se relacionar no ambiente escolar, e isso contribui muito com o desenvolvimento deles”, afirma.

Primeiros Passos

Quem deu os primeiros passos para o que viria a ser o projeto foi a atual vice-diretora administrativa, Zenaide Bellotti. Em parceria com a ONG Parceiros Voluntários, a educadora reuniu um grupo de alunos no final dos anos 90, e iniciou o que se tornaria o Centro de Voluntariado Juvenil da escola.

De geração em geração, o projeto chega aos dias de hoje renovando seus personagens, mas sustentado pela mesma convicção: o voluntário acaba ganhando muito mais do que doa.

*Sob supervisão do jornalista Cristiano Abreu