Weintraub promete liberar verbas em setembro e mostrar que não era corte
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Weintraub promete liberar verbas em setembro e mostrar que não era corte

Ministro da Educação defendeu que governo administra crise na "boca do caixa"

Por
Correio do Povo

Ministro defendeu maior investimento na educação de base

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Em entrevista ao programa Esfera Pública, da Rádio Guaíba, o ministro da Educação, Abraham Weintraub, defendeu que a suspensão de verbas para universidades federais não foi corte, mas contingenciamento, e estimou que os repasses serão retomados no próximo mês. “Quando eu assumi, até salientei isso. Eu disse ‘vamos segurar o dinheiro porque não tem e vamos administrar essa crise na boca do caixa’. Ir soltando recurso à medida que se tiver uma explicação cabível no que se quer gastar, porque o dinheiro não é deles, é do pagamento de imposto. Logo que a gente entrou a tigrada começou a falar: 'tá tendo corte'. Agora em setembro vamos soltar o dinheiro e mostrar que não teve corte, foi contingenciamento", afirmou nesta sexta-feira.

O termo tigrada foi definido pelo titular da pasta como “esse pessoal que gosta do vermelho, mas não é do Inter, que tem o vermelho no peito, não só no time”. O ministro argumentou que se investe muito em universidades no País e que o dinheiro aplicado não traz resultados. “Em termos do PIB, gastamos 7% com, mais do que os países ricos da Europa e os Estados Unidos. O custo por dólar do aluno universitário é mais alto do que qualquer um da América do Sul, de Portugal, da Itália, da Coreia. Gastamos no ensino superior e não no básico, então, o filho do pobre não faz creche, pré-escola, estão chega no primeiro aninho e não sabe segurar lápis”, disse.

Conforme o titular da pasta, o dinheiro novo que entrar da arrecadação de impostos será destinado ao ensino fundamental, pré-escola e técnico. “Aparece uma tigrada que fala que tem que gastar mais. Aí eu respondo, 'mas pô, não dá para melhorar, não? Tem que subir imposto?’ Porque eles não falam que para ter mais recursos tem que subir imposto. Valorizamos muito professor universitário. Não queremos tirar das universidades federais, estamos mantendo os recursos e vamos dar liberdade para quem quiser aderir ao Future-se”. O projeto, conforme o governo federal, "favorece o fortalecimento da autonomia administrativa, financeira e da gestão das universidades e institutos federais" por meio de parcerias com organizações privadas.

O Conselho Universitário (Consun) da Ufrgs aprovou, na semana passada, moção de rejeição ao programa lançado pelo Ministério da Educação (MEC). O documento avaliza o posicionamento da comunidade universitária, aprovado em sessão pública do Conselho na semana passada, apesar de incluir um trecho prevendo que a Ufrgs vai seguir participando de discussões internas e externas sobre a proposta.

Para Weintraub, o problema da educação no País passa também pelo método empregado por professores. “Em vez de ser científico, baseado em Aristóteles, a gente montou uma teoria linda de que a culpa da humanidade é pela exploração do capitalismo estadunidense e por isso os jovens que são oprimidos pelo papai e pela mamãe não conseguem se desenvolver, então a melhor forma de se aprender é ficar descalço e sentir a energia emanar do chão”, disse, criticando também Paulo Freire. “Eu não queria falar nessa pessoa. Parece assombração. Um país que o tem como patrono da Educação é o pior da América do Sul. Está entre os países piores do mundo. Isto é ciência”, denunciou.

Erro de português em ofício

O ministro também comentou a gravia errada da palavra paralisação – escrita com 'z'– em ofício endereçado ao ministro da Economia, Paulo Guedes. No documento, o titular da pasta de alerta que os recursos previstos para o ministério em 2020 são insuficientes para a prestação de serviços públicos, como a compra de livros escolares, e podem levar à interrupção das atividades em universidades públicas. "Acho que alguém vazou o conteúdo e foi com erro. Mas o erro foi meu, sim. Passou pela a minha equipe e tudo que passa pela minha equipe é de minha responsabilidade. Então o erro foi meu, eu assumo", explicou, ressaltando que o texto tratava-se de um rascunho.