O advogado admitiu, no entanto, que o alvará estava vencido. “Em agosto, o papel expirou. Mas as condições de funcionamento da casa permaneceram absolutamente iguais, não houve alteração de nada”, argumentou. “De outubro em diante, a casa ficou aguardando a vistoria dos bombeiros. O que essa vistoria encontraria lá? A mesma casa que recebeu esse alvará estava esperando uma nova vistoria,” disse.
Conforme Marques, a boate Kiss não estava lotada na noite de domingo. “Do início ao fim, há uma circulação total em torno de mil pessoas em festas da casa. Com 700 pessoas, a casa flui de maneira agradável. Depois disso, tranca-se a porta e inicia uma circulação de pessoas, ou seja, se permite a entrada toda a vez que ocorre a saída”, alegou. O defensor informou que foram impressos 850 ingressos. “Ninguém vai ter um convite maior por aí com um número superior a 850”, ponderou. Deste número, 700 convites teriam sido entregues de forma antecipada a um dos organizadores da festa, encarregado de vender os bilhetes.
O advogado ainda voltou a afirmar que as câmeras de segurança não estavam no local porque foram encaminhadas para conserto e negou que os sócios tenham retirado os equipamentos para ocultar provas da Polícia Civil. “Nós queremos toda e qualquer imagem que possa ser trazida, porque isso é benéfico também para a defesa”, justificou.
Elissandro Spohr está hospitalizado no município de Cruz Alta, no Alto Jacuí, após um quadro de intoxicação pela fumaça causada pelas chamas. Segundo a Polícia Civil, ele teria tentado tirar a própria vida. Ao ir tomar banho, o homem teria retirado a mangueira do chuveiro e tentado se enforcar em uma janela, informou a titular da Delegacia Regional do município do Alto Jacuí, delegada Lilian Carus.
Incêndio teria começado com sinalizador
O incêndio na boate Kiss – que fica na Rua dos Andradas, Centro de Santa Maria – começou por volta das 2h30min de domingo. O público jovem participava de uma festa organizada por estudantes da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM).
Segundo testemunhas, o fogo teria começado quando um dos integrantes da banda Gurizada Fandangueira, que acabara de subir ao palco, lançou um sinalizador. O objeto teria encostado em uma forração de isopor.
As pessoas não teriam percebido o fogo de imediato, mas assim que o incêndio se espalhou, a correria teve início. Testemunhas relataram que, a princípio, parecia uma briga e os seguranças fizeram um cordão de bloqueio. Mas, quando viram que era um incêndio, liberaram a passagem.
Conforme relatos, os extintores posicionados na frente do palco não funcionaram. Em pânico, muitos não conseguiram encontrar a única porta de saída do local e correram para os banheiros. Aqueles que conseguiram fugir em direção à saída, ficaram presos nos corrimões, usados para organizar as filas. A boate foi tomada por uma fumaça preta e as pessoas não conseguiam enxergar nada. A maioria morreu asfixiada dentro dos banheiros ou na parte dos fundos da boate.