As marcas físicas e psicológicas da tragédia na boate Kiss ainda são sentidas em sobreviventes do incêndio que atingiu a casa noturna e matou 242 pessoas. O sinistro completa dois anos nesta terça-feira e a enfermeira Patrícia Bandeira da Silva, 30 anos, confessa que até hoje tem receio em frequentar danceterias. "Ao entrar em uma casa noturna fico angustiada", diz.
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Patrícia relata que até hoje não se lembra de como conseguiu sair da Kiss. Ela recorda apenas que acordou na calçada da boate e estava sendo atendida por um taxista. "Não sei quem é o anjo que conseguiu me salvar", afirma a enfermeira que ficou hospitalizada por uma semana.
Assim como outros sobreviventes, Patrícia adquiriu problemas respiratórios. Ela revela que passou um ano fazendo tratamento para combatê-los e atualmente convive com uma bronquite. "Atualmente estou sendo atendida por um médico particular, mas sempre recebi todo o apoio do Acolhe Saúde e dos profissionais do Hospital Universitário de Santa Maria. Como sou da área da saúde, sei que juntamente com a maioria dos sobreviventes vamos ter que conviver com sequelas físicas e psicológicas para o resto da vida", admite.
A enfermeira atualmente reside na cidade de São Pedro do Sul e acredita que não existe um culpado. Na avaliação de Patrícia, a tragédia da Kiss foi uma sucessão de erros, que começaram com os proprietários da boate. "Na verdade ninguém queria matar ninguém", opina.
Patrícia faz questão de citar o trabalho que é desenvolvido pela Associação dos Familiares das Vitimas e Sobreviventes da Tragédia de Santa Maria (AVTSM). "Eles realizam um excelente trabalho e passam para os sobreviventes e familiares um grande conforto psicológico", conclui.
A tragédia
O incêndio na boate Kiss – que ficava na Rua dos Andradas, Centro de Santa Maria – começou por volta das 2h30min da madrugada de 27 de janeiro de 2013. Dos jovens que participavam de uma festa organizada por estudantes da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), 242 morreram em decorrência do fogo.
Segundo testemunhas, o fogo teria começado quando um dos integrantes da banda Gurizada Fandangueira, que acabara de subir ao palco, lançou um sinalizador. O objeto teria encostado na forração da casa noturna. As pessoas não teriam percebido o fogo de imediato, mas assim que o incêndio se espalhou, a correria teve início. Conforme relatos, os extintores posicionados na frente do palco não funcionaram.
Em pânico, muitos não conseguiram encontrar a única porta de saída do local e correram para os banheiros. Aqueles que conseguiram fugir em direção à saída, ficaram presos nos corrimãos usados para organizar as filas. A boate foi tomada por uma fumaça preta e as pessoas não conseguiam enxergar nada. A maioria morreu asfixiada dentro dos banheiros ou na parte dos fundos da boate.
"Ao entrar em casa noturna, fico angustiada", relata sobrevivente da Kiss
Enfermeira de 30 anos convive com problemas respiratórios por causa do incêndio na boate de Santa Maria