Horas depois do protesto dos rodoviários pelas ruas de Porto Alegre, que causou bloqueio nos corredores de ônibus, o encontro entre a categoria e o prefeito Sebastião Melo ocorreu na manhã desta quinta-feira. Segundo informações da assessoria de imprensa da Prefeitura, reunião foi marcada pelo diálogo.
Participaram da reunião o presidente do Sindicato dos Trabalhadores em Empresas de Transporte de Porto Alegre (Stetpoa), Sandro Abbáde, o vice-presidente da entidade, Alessandro Avila, integrantes do sindicato, os vereadores da capital Roberto Robaina e Matheus Gomes, do PSol, e os vereadores de Alvorada Alexandre Espeto (PSD) e Júlio Bala (MDB).
Na ocasião, Melo ouviu as reivindicações dos rodoviários. Embora garanta estar sempre aberto ao diálogo, o prefeito, ao final da reunião, argumentou que a situação da Carris é difícil. “O sistema faliu como um todo e, dentro desse falecimento, tem duas razões que elevam a nossa passagem, sendo uma das passagens mais caras do Brasil: é 30% de isenções e o custo Carris, que é 21% mais caro por quilômetro rodado do que qualquer operador privado”, declarou. “O cidadão não quer saber se é público ou se é privado, ele quer saber se tem horário, se o ônibus está funcionando e se o preço da passagem cabe no bolso dele.”
Para o presidente do Stetpoa, Sandro Abbáde, o projeto de desestatização da Carris tem “muitas pontas soltas”, pois não explica o que acontecerá com os 2 mil funcionários que trabalham na empresa. “Muito pouco foi esclarecido o que vai ser feito com esses trabalhadores num momento onde o desemprego é muito grande”, disse ainda no início da mobilização desta quinta-feira.
A respeito das alegações da prefeitura sobre a situação da Carris, Abbáde rebate dizendo que a situação resulta de má gestão ao longo dos anos. “Inclusive de gestões que o MDB sempre participou”, salientou, citando o partido do prefeito Sebastião Melo.
A mobilização ocorreu na mesma data em que foi marcada audiência pública virtual, a partir das 19h, na Câmara de Vereadores de Porto Alegre para discutir o projeto de lei 013/21, do Executivo, que propõe a desestatização da tradicional empresa de transportes. A votação do projeto ainda não tem data marcada, mas a previsão é de que ocorra nas próximas semanas.
De acordo com o vereador Matheus Gomes, que acompanhou a mobilização dos rodoviários desde o início, o tema da desestatização ainda não é questão fechada na Câmara Municipal. “O assunto é muito delicado, pois se trata de extinguir uma empresa com mais 100 anos, isso não é tão fácil”, observa.